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sábado

Os Magos do Oriente e a Estrela

 



Pe Paísios (Diaz)

“E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém, Dizendo: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos a adorá-lo”... “E, tendo eles ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela, que tinham visto no oriente, ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino.

E, vendo eles a estrela, regozijaram-se muito com grande alegria.

E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.

E, sendo por divina revelação avisados num sonho para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por outro caminho.” (Mateus 2:1-2, 9-12)


Os Magos do Oriente (μάγοι ἀπὸ ἀνατολῶν) citados neste trecho do Evangelho do Santo Apóstolo Mateus, provavelmente eram sacerdotes pagãos oriundos da Pérsia. Também podemos encontrar este termo atrelado à casta sacerdotal dos Medos, já que os gregos antigos costumavam classificar os Persas e os Medos como sendo um mesmo povo. O que de fato sabemos é que eram homens que lidavam com a interpretação de sonhos, vidência e astrologia.


Não temos a intenção de tratar dos magos em toda a sua amplitude, menos ainda nas divergências que saltam de diversas tradições cristãs, de Leste a Oeste: quais seriam seus nomes, número e práticas para além do que nos é apresentado pelo Evangelista. A prática da astrologia por parte destes homens é clara para nós e nela iremos nos atentar.


Estes magos eram homens cultos, vindos de uma região que viu o nascer e o sepultar de diversas civilizações, e versados nas mais diversas tradições e ciências. Sabemos que eles, como astrólogos, acreditavam (entre outras coisas) que os astros mantinham algum tipo de influência na criação como um todo, inclusive - e principalmente - no homem, coroa da Criação. Mesmo assim, apesar de cultos e convictos de suas crenças, seria inútil apresentar condenação aos magos quanto a este erro relacionado à 'coroa da criação', afinal, a Verdade em sua plenitude não havia sido revelada ao entendimento humano e isso só aconteceu após a Encarnação. Foi através de Cristo que o homem conheceu seu verdadeiro propósito. O homem, em corpo, alma e espírito, ainda não havia sido escancarado em todos os seus labirintos. São Nicolau Cabasillas diz que antes da Encarnação, o homem sequer poderia encontrar a plenitude da justiça, quanto mais a Verdade [1]. Deus, que revelou a Si mesmo através da Pessoa de Cristo, também revelou ao homem o verdadeiro motivo de sua existência: tornar-se deus através da Graça [2]. Os magos não poderiam saber disso, apenas conceber minimamente, em pequenos espasmos causados pela 'semente do Verbo' que neles existia. Porém, no todo, estavam cegos como qualquer outro homem de seu tempo. Assim, dimensionando e compreendendo o homem de modo incorreto, os magos incorriam neste erro.


Porém, se os magos em seu desconhecimento "estavam livres" para cometer este erro, o mesmo não acontece conosco. Não gozamos do privilégio deste álibi. Somos nova criação, herdeiros de Cristo e de Sua Verdadeira Fé. Revestidos de Cristo pelo Batismo, somos chamados a não “servir a dois senhores”. E é exatamente disso que a astrologia se trata: servir a dois senhores.


A Estrela: 


Como dito anteriormente, os magos ainda não compreendiam a Verdade, eles não estavam sob a rocha da Verdadeira fé, o que os fazia percorrer a criação atrás de sinais que pudessem apontar para Aquele que esperavam ansiosamente. E o Senhor os atendeu, mas não se utilizando dos astros que já existiam, aqueles sobre os quais os magos buscavam suas respostas. A estrela que os guiou não era uma estrela comum, acessível aos homens através de seus ciclos. São João Damasceno nos explica este fenômeno: "Muitas vezes também acontece que surgem cometas. Estes são sinais da morte de reis, e eles não são nenhuma das estrelas que foram feitas no início, mas são formados ao mesmo tempo por ordem divina e novamente dissolvidos. E, portanto, nem mesmo aquela estrela que os magos viram no nascimento do Amigo e Salvador do homem, nosso Senhor, que se fez carne por nós, é do número daquelas que foram criadas no princípio." [3] Alguns Padres ainda afirmam que a estrela era nada mais do que algum poder angélico: "Quando você ouvir ‘estrela’, não pense que era uma estrela como a que vemos, mas um poder divino e angélico que apareceu na forma de uma estrela."  [4] "...esta estrela não era do tipo comum, ou melhor, não era uma estrela, como parece pelo menos para mim, mas algum poder invisível transformado nesta aparência, é, em primeiro lugar, evidente a partir de seu próprio curso" [5]


Não foram os “ciclos astrológicos” que guiaram os Magos, mas Deus, que o fez através deste sinal formado e dissolvido instantaneamente, sendo totalmente desconhecido por eles. "Os Magos, vendo o estranho curso de uma estrela desconhecida e recém-brilhante, que excedia o brilho de toda a luz celestial, aprenderam assim que Cristo Rei nasceu na terra, em Belém, para a nossa salvação." [6]. Usando assim de algo que lhes era familiar para trazê-los à Verdade.  "Como os Magos eram astrólogos, o Senhor os trouxe de maneira comum [a eles], como Pedro, sendo um pescador, saiu da multidão dos peixes." [7].


Apesar de ter se utilizado deste aspecto da fé dos magos, Deus não tinha a intenção de legitimá-la. Pelo contrário. Ele poderia muito bem ter se utilizado de alguma estrela já existente, conhecida dos magos, mas não o fez. Sua intenção não era confirmar suas crenças, e sim aniquilá-las. A estrela no nascimento de Cristo, anunciando a presença de Deus Encarnado, era tão brilhante,tão diferente de tudo o mais [nos céus], que a magia [dos magos] foi destruída, todo vínculo de maldade desapareceu, a ignorância foi dissipada e o antigo reino abolido."[8] Naquele exato momento, durante aquele evento, Deus aboliu completamente a fé e as práticas dos magos, apontando para uma nova e Verdadeira Fé, que havia sido anunciada já no ventre da Virgem e agora despontava na história naquela humilde manjedoura. Segundo o entendimento da Igreja, os próprios Magos aceitaram que suas práticas estavam completamente sepultadas pela encarnação do Deus-homem, obrigando-os a mudar de rota e abandonar a sua antiga prática da astrologia [9]. Fazendo um contraponto com as atitudes posteriores dos judeus, São João Crisóstomo nos diz sobre os Magos: "Considerando que os Magos reconheceram que a vinda de Cristo encerraria seu conhecimento profano e suas artes mágicas, os judeus não aceitaram que o Legislador acabasse com seus sacrifícios e se recusaram a aceitar os mistérios da dispensação divina. Os Magos confessaram um estranho; os judeus rejeitaram um dos seus" [10] Criticando a insensatez de quem defende a prática da astrologia com base nos magos, o mesmo Santo sentencia o fim desta prática: “O que eles alegam, então? Eis que, dizem eles, mesmo quando Cristo nasceu, uma estrela apareceu, o que é um sinal de que se pode confiar na astrologia. Como, então, se Ele nasceu de acordo com essa lei, Ele acabou com a astrologia, eliminou o destino, tapou a boca dos demônios, expulsou o erro e derrubou toda essa feitiçaria? [11]


O testemunho dos Padres é inequívoco: nos magos temos a abolição e o sepultamento da astrologia, não sua justificativa. Onde muitos buscam um pretexto para sua prática, a Verdade determina o seu fim. Nos resta escolher: ajoelhar-se diante do Deus Encarnado, como fizeram os magos, ou seguir o amargo sussurro do demônio.


Indo adiante, apesar de esclarecido totalmente esse ponto, muitos ainda podem argumentar: "mas são obtidas respostas quando consultamos as estrelas e muitas delas são benéficas para minha vida". São questionamentos próprios da mentalidade moderna, que apesar de falsamente pragmática e muitas vezes dissimulada, acaba sendo incontornável em nosso século. Porém, cabe a nós afirmar que nem todo resultado obtido, sejam quais forem os meios utilizados, pode ser considerado inerentemente "bom" pelo simples fato de existir. E sendo supostamente "bom", não pode ser automaticamente considerado como tendo parte com a Verdade. A procedência é algo realmente importante e deve ser levada sempre em consideração. Em Atos 16 podemos ler  sobre o encontro do Santo Apóstolo Paulo com uma jovem que predizia o futuro através de um espírito imundo. Ao ver Paulo e outros Apóstolos caminhando, ela começou a segui-los por dias, anunciando: “Estes homens são servos do Deus Altíssimo e lhes anunciam o caminho da salvação"(Atos 16:17). Estas palavras, colocadas em sua boca pelo espírito imundo, eram totalmente verdadeiras. Porém, vemos como o Apóstolo Paulo lidou com isso: “Paulo ficou indignado, voltou-se e disse ao espírito: "Em nome de Jesus Cristo eu lhe ordeno que saia dela! " No mesmo instante o espírito a deixou. (Atos 16:18). É assim, pois o demônio não trabalha pela Verdade, ainda que, na busca pela nossa perdição, ele possa circunstancialmente dizer palavras verdadeiras. Isso nos mostra a necessidade urgente de compreendermos corretamente o que é a “Verdade” do ponto de vista Ortodoxo, para que não caiamos no erro dos que a vinculam com qualquer ideia criada pela mente humana, retorcendo-a em uma simples engrenagem de autojustificativa e orgulho.



  

[1] Nicholas Cabasilas, “The Life in Christ”, 55-56

[2]Theosis: The True Purpose of Human Life, 21

[3] An Exposition of the Orthodox Faith (Book II) - Chapter 7. Concerning light, fire, the luminaries, sun, moon and stars.

[4]Theophyiact (785-840), PG. 123:61.

[5] St John Crysostom, ""Homily 6 On the Gospel of Matthew"

[6] Matins Canon of the Nativiy of Crist, Ode Nine, Mode One

[7] St Theophyiact (785-840), PG. 123:61.

[8] St Ignatius, 'Letter to the Ephesians'.19

[9]  Tertullian, On Idolatry, 9.

[10]John Chrysostom, Sermon for the Epiphany, Holy Apostles Covent, “The Lives of the Holy Apostles”, 202  

[11] St John Chrysostom, ""Homily 6 On the Gospel of Matthew"



trechos do artigo  “Notas sobre a Ortodoxia e a astrologia” - (em processo de edição)


terça-feira

Por Que os Cristãos Não se Arrependem nos Dias de Hoje? - Arquimandrita Gregórios (Estephan)




Arquimandrita Gregorios(Estephan) – Hegúmeno do Mosteiro da Dormição da Mãe de Deus - Bkefitine


Por que as nações se desintegram e novas nações surgem? Por que muitas nações cristãs desapareceram, sendo substituídas por nações pagãs? Nos últimos tempos, quando o mundo inteiro conspirar contra o Senhor e Seu Cristo, o cristianismo lutará pela sobrevivência. Isso exigirá a adesão à Verdadeira Fé em Jesus Cristo.


Por que Deus está abandonando Seu povo? Talvez porque Ele seja um Deus vingativo? Certamente que não! Pelo contrário, Ele é o Deus perfeito que deseja filhos perfeitos, que anseiam por alcançar a perfeição; filhos que guardam fielmente Seus mandamentos e se apegam à fé que foi colocada em suas mãos. Nosso Deus quer apenas uma coisa de Seu povo: fidelidade. Ou seja, Ele deseja que eles O obedeçam com fé e não mintam para Ele; que não finjam devoção enquanto vivem em pecado; que não falem sobre abnegação enquanto vivem egoisticamente com desejo de poder e vanglória; que não se orgulhem da Ortodoxia enquanto a traem em seus diálogos.


O Senhor pede que Seu povo seja fiel a Ele, e somente uma coisa preserva essa fidelidade na alma humana: o arrependimento. O arrependimento é o retorno incessante a Deus. Seus sinais são um espírito contrito e humilde, que abandonou todas as coisas terrenas e busca a misericórdia de Deus com toda a sua mente. Quando o povo se afasta de Deus, Ele o disciplina, não como um ato de vingança, mas para torná-lo consciente de seu pecado, para que possa se arrepender. Desde os tempos do Antigo Testamento, Deus tem dito ao Seu povo: Convertei-vos, agora, cada um do seu mau caminho, e fazei boas as vossas ações, e não sigais a outros deuses para servi-los (Jer. 35:15).


O cristão vai atrás de outros deuses de duas maneiras: quando aceita a heresia como verdade e quando segue o espírito do mundo e se rende à sua maneira de pensar.


Deus sempre desejou que tivéssemos uma fé pura nEle - a fé saudável que Ele revelou ao Seu povo e que leva à salvação. Entretanto, alguns distorceram essa fé e brincaram com ela. O surgimento de heresias e inovações dogmáticas está fortemente relacionado às paixões humanas corruptas, especialmente o orgulho. Desse orgulho maldito e da desobediência surgiram todas essas chamadas "igrejas". As paixões cheias de maldade e arrogância, como o orgulho - que se alimenta do amor-próprio - e as paixões de desejo de poder e vanglória, que são infladas pelo amor às coisas terrenas e obscurecem totalmente a alma, fazendo com que ela interprete os dogmas da fé pelas lentes de sua própria vontade e pensamentos. Essa escuridão espiritual afasta a alma do espírito de contrição e arrependimento. É exatamente por esse motivo que Deus despreza a heresia e a condena, chamando-a de blasfêmia imperdoável contra o Espírito Santo. Ela é uma reminiscência do orgulho primordial que desfigurou o caminho da salvação; ela também impede que a alma se arrependa e seja salva.


O espírito do mundo enfraqueceu a vontade do homem e dispersou sua mente, tornando-o incapaz de se lembrar de Deus no coração. Esse espírito substituiu os valores e as virtudes que eram usados para educar as crianças (como o autocontrole) por vícios (como a entrega a paixões imundas e a obediência aos desejos do corpo e às tendências animalescas). Esses vícios se tornaram deuses para o homem, substituindo o único Deus verdadeiro. Quando o homem adota o espírito da era moderna e permite que ele domine seu pensamento, sua vontade é despedaçada e sua mente fica paralisada: ele deixa de estar atento à Verdade e é incapaz de adquirir o espírito de arrependimento.


Em toda Escritura, Cristo insistiu em separar o espírito do mundo do Espírito de Deus. O espírito do mundo semeia o desdém pela Verdade eterna e suas coisas sagradas, enquanto incita subliminarmente o pecado e o ateísmo na mente do homem. Portanto, aqueles que se esforçam para modernizar a Igreja, seu phronema (mentalidade) e sua práxis (modo de vida), são os primeiros inimigos de Cristo, pois misturam a verdade com a ilusão, que Cristo se esforçou para separar.


A própria Igreja, que possui esse profundo senso da Verdade Divina transmitida ao longo de sua história, tem se rendido ao espírito do mundo ultimamente. Quantos, mesmo entre os fiéis, estão incentivando a adoção das reformas doutrinárias e morais produzidas pelo espírito do mundo! Pessoas como essas não reconhecem a existência de heresias, inovações ou mesmo demônios, nem acreditam em uma Igreja ou mesmo em um Deus.


Quem afirma que a Verdade é encontrada em todos os lugares, mesmo fora do cristianismo, está realmente cego, amortecido para a Verdade; ele se tornou um instrumento adúltero para o demônio da ilusão. Como esse homem pode se arrepender? Quando o senso da Verdade única morre em nós, o próprio Deus morre em nós.


O arrependimento requer muita humildade, para que o homem possa estar ciente de sua pecaminosidade e contemplar a Verdade Divina. É por isso que São João Clímaco diz que é impossível encontrar humildade nos hereges: Toda heresia, mínima ou flagrante, é fruto do orgulho e da arrogância demoníaca. O principal perigo do movimento ecumênico moderno é que ele reforça na alma humana o orgulho e as convicções, em vez de incentivá-la a se arrepender e buscar a verdade. O dom da verdade é concedido pelo Deus da Verdade aos penitentes que abandonam sua vontade própria e seus próprios pensamentos e buscam a Verdadeira Fé com oração incessante.


A Igreja não mente. Em vez disso, os mentirosos são aqueles que tentam misturar a verdade com a falsidade, justificando suas violações da fé. Os orgulhosos não se arrependem, não importa quão louváveis sejam suas ações terrenas ou quão grande seja sua benevolência, porque eles glorificam a si mesmos, e não a Deus. Quanto aos humildes, eles se arrependem porque se conhecem verdadeiramente e se entregam incondicionalmente a Cristo pela fé. O grande pecado do homem não está na transgressão de um único mandamento, mas em seu orgulho e insubordinação à Igreja e a seus ensinamentos verdadeiros.


Nem todas as pessoas orgulhosas são hereges, mas é possível que todos os hereges sejam orgulhosos. O Senhor não permite que os humildes se afundem na ilusão ou sofram a condenação eterna, mas fornece a eles os meios para conhecer a verdade e permanecer firmes nela. Todas as heresias ao longo da história e todos os ensinamentos opostos àqueles transmitidos à única Igreja não passam de uma aniquilação do Deus verdadeiro, substituindo-O por um falso. E que comunhão pode existir entre Cristo e esses falsos deuses demoníacos? Quando o nosso Cristo retornar à Terra, Ele encontrará uma infinidade de "igrejas", falsamente assim chamadas, que possuem uma fé desonesta, por isso Ele pergunta: Porventura [o Filho do homem] achará fé na terra? (Lc. 18:8) Isso se deve ao fato de que uma fé desfigurada e distorcida não é fé alguma. Uma fé fora da Igreja Una e Apostólica nunca pode levar a um conhecimento vivo do Deus Vivo e Verdadeiro.


Deus se afastou de Seu povo nestes últimos tempos; Ele está se afastando de Seu rebanho, que pastoreou, fortaleceu e multiplicou no passado, mesmo nas eras mais sombrias de perseguição e tirania dos obreiros do diabo. Nossa terra está se tornando desprovida de Cristo e de Seus verdadeiros ungidos; esta terra, cujo solo era santificado pela adoração incessante do Senhor e de Seu Cristo, tornou-se a terra da apostasia. Por quê? Porque as pessoas abandonaram a fé de seus antepassados e a simplicidade da vida de piedade. Eles pensaram que a sobrevivência nesta terra dependia de fazer alianças com os deuses de nações estrangeiras, em vez de se apegarem à Verdadeira Fé.


Esse povo pecou diante de Deus. Eles estão se fundindo gradualmente ao espírito do mundo e ao da globalização e não querem se arrepender. Onde estão os líderes da Igreja que estão se arrependendo de todas essas transgressões? Arrependendo-se por si mesmos e por seu povo? Onde estão aqueles que usam pano de saco e acrescentam jejuns sobre jejuns para serem um exemplo para seu povo em arrependimento, santidade e Ortodoxia? Os hereges - descendentes de Balaão - profetizam para nosso povo e o afogam ainda mais nas ilusões que estão por vir, enquanto os líderes permanecem em silêncio.


"E já ninguém há que invoque o teu nome, que se desperte, e te detenhas; porque escondes de nós o teu rosto, e nos fazes derreter, por causa das nossas iniquidades..." Não te ires demais, ó Senhor! Não te lembres constantemente das nossas maldades. Olha para nós! Somos o teu povo!
As tuas cidades sagradas transformaram-se em deserto. Até Sião virou um deserto, e Jerusalém, uma desolação! O nosso templo santo e glorioso, onde os nossos antepassados te louvavam, foi destruído pelo fogo, e tudo o que nos era precioso está em ruínas; e depois disso tudo, Senhor, ainda irás te conter? Ficarás calado e nos castigarás além da conta? (Is. 64:7, 9-12)

Tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos (Malaquias 3:7, Zacarias 1:3). O arrependimento genuíno, que nos inspira a chorar por nossos pecados, é sempre um sinal de firmeza inabalável na Verdadeira Fé; somente o arrependimento é capaz de nos tornar uma descendência abençoada que Deus multiplicará.

quinta-feira

"CONTEXTUAL", "PÓS -PATRÍSTICO" E OUTRAS "QUESTÕES TEOLÓGICAS" - Metropolita Pavlos de Glyfada









em 28 de setembro de 2010


Para

O Santo e Sagrado Sínodo Da Igreja da Grécia - ATENAS

COMENTÁRIO

"CONTEXTUAL", "PÓS -PATRÍSTICA" E OUTRAS "QUESTÕES TEOLÓGICAS"

NA CONFERÊNCIA DA ACADEMIA TEOLÓGICA DE VOLOS - 

A "Academia de Estudos Teológicos" da Santa Metrópole de Demetrias, Volos, organizou e sediou uma conferência teológica com o seguinte tópico: 

“SÍNTESE NEOPATRÍSTICA OU TEOLOGIA PÓS-PATRÍSTICA. A QUESTÃO DA TEOLOGIA CONTEXTUAL na ORTODOXIA. "

”Essa conferência foi uma "radical surpresa teológica", no sentido negativo, para o ouvinte que não estava adequadamente preparado para ouvir uma linguagem neoteológica altamente "distorcida". E não foi difícil para muitos ouvirem esse "idioma", uma vez que a conferência foi transmitida na estação de TV pela internet www.intv.gr. com tradução paralela em inglês e grego. Algumas dessas distorções não-ortodoxas ouvidas durante a conferência serão apresentadas um pouco mais adiante. No entanto, é necessário oferecer inicialmente nossas observações sobre duas condições principais que levam esse "encontro teológico" a um "naufrágio teológico".

Primeiro, o termo "Teologia synafeiaki [contextual]".

O conteúdo conceitual desse termo parece vago e não é facilmente entendido. Talvez possa ser visto como uma "neoplasia lingual lustrosa", a fim de expressar alguns conceitos que surgem da necessidade de formular algumas novas realidades sociais. Isso não poderia estar mais longe da verdade. O termo "Theologia synafeiaki " é conhecido há pelo menos quarenta anos na literatura inter-cristã e expresso em inglês como Contextual Theology ("Teologia Contextual") ou Cohesive Theology ("Teologia Coesiva - Sistemática)". O termo tornou-se amplamente conhecido na "Conferência Mundial sobre Missão e Evangelismo", que foi organizada em 1972 em Bangcoc. A tendência dominante nesta conferência foi de que as várias confissões cristãs trabalhassem contra a visão de que são divididas, perante os não-cristãos, como resultado de diferenças doutrinárias, e mostrassem ainda mais a unidade, priorizando as questões de justiça social e opressão das classes sociais. Isso direcionaria o esforço missionário e de pregação, antes de tudo, para dar prioridade à formulação de métodos que restaurassem a injustiça social, em vez de espalhar as verdades do Evangelho. Ninguém pode negar a necessidade de justiça social, mas isso só pode se tornar realidade vivendo as verdades da Palavra de Deus, expressas pelas doutrinas dos Sínodos Ecumênicos dos Padres da Igreja, Portadores de Deus. A base e a perspectiva de "Teologia Contextual" foram "a conversão de missões em uma comunidade de igrejas em missão" (http://www.mission2005.org).

Na teologia Ortodoxa, no entanto, não temos "comunidade de igrejas", mas uma "Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica". O aparecimento de missões cristãs, emergindo de uma “comunidade de igrejas”, degrada a “Igreja Una” em um grupo de denominações que não revela a Verdade única, e degrada ainda mais o trabalho missionário em uma perspectiva sociológica em vez de soteriológica. A "teologia contextual" introduzida em Bangcoc expandiu muito seus horizontes de acordo com o site da Internet (http://www.blogtalkradio.com/empowermentsanctuary / blog / 2008/04/15 / about-holistic-theology-empowerment-sanctuary:

"O objetivo da teologia contextual é enriquecer a experiência espiritual, emocional, mental e física da vida, explorando vários ensinamentos e conceitos encontrados em espiritualidade, metafísica, física quântica, religião, orientação da vida, tendências seculares e entendimento científico, e então sintetizar tudo isso, juntos, em uma soma contextual dinâmica e fluida ... oferecemos a você uma variedade de ferramentas projetadas para ajudá-lo em seu crescimento e desenvolvimento pessoal ... e tudo isso, independentemente de você estar envolvido com o suporte angelical, Lei Universal, Budismo, Gnosticismo, Cristianismo ou qualquer experiência secular, científica ou intelectual em espiritualidade."

Aqui surge uma questão crucial: os organizadores desta conferência tinham algum conhecimento da história do termo "teologia contextual"? Se não tinham, por que o usaram? Para causar uma impressão de pioneirismo no modernismo? Mas se eles soubessem, então podemos falar corretamente de uma tentativa de "distorcer a teologia".


Segundo, o termo "Teologia pós-patrística".

Este termo, além de ser novo, também é anti-bíblico e não-Ortodoxo. Anti-bíblico, porque contradiz a própria base da teologia patrística de nossa Igreja. O próprio Senhor disse:

"Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito" (João 14:26)

"Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim." (João 15:26)

"Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade"(João 16:13)

Os Santos Padres são o fruto da obra do Espírito Santo na Igreja. Os Padres, portanto, são chamados portadores de Deus, porque são os vasos e os órgãos do Espírito Santo. Com ascese persistente e árdua luta neptica, eles subjugaram o espírito da carne à vontade de Deus. Na Ortodoxia não pode haver Teologia sem ascese e Teologia sem os Santos Padres. Os Padres, com sua teologia, cumprem as palavras mencionadas acima por nosso Senhor. Os Padres não dizem nada de novo, nem escrevem novas teorias filosóficas, mas porque são cheios de espírito e vivem na Luz de Deus, interpretam as verdades reveladas por Cristo, fortalecidas por Sua luz.

O Paracleto, o Espírito da verdade, guia os Padres da Igreja "a toda a verdade". Isso significa que não pode haver período na vida da Igreja em que os Padres não existam. Isso significaria que o Paracleto(Espirito Santo) parou de "sustentar firmemente" "toda a instituição da Igreja" (Ofício de Vésperas de Pentecostes). Tudo isso leva à conclusão óbvia de que o termo "teologia pós-patrística" é totalmente infundado. É impossível existir um período posterior aos Padres, já que a Igreja sempre crescerá teologicamente com a Graça do Espírito Santo, através dos Padres portadores de Deus. Não negamos o termo "teologia neopatrística" porque novos Pais sempre emergem ao longo do tempo. Negamos o termo "teologia pós-patrística" porque ele nos leva diretamente ao protestantismo. A Igreja sem Padres seria uma "formulação falsa dos cristãos protestantes", sem nenhuma relação com a "Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica".

Os organizadores desta conferência "teológica" não estavam cientes dos princípios fundamentais e básicos da Teologia Ortodoxa?

Se isso é verdade, como eles se atrevem a organizar conferências "teológicas" sob os auspícios de carregar um nome grandioso como "Academia Ortodoxa", enquanto o prefixo / título sofre de heterodoxia teológica? Mas se eles estavam cientes, então temos todos os motivos para falar sobre uma disposição sinistra de corromper e distorcer as estruturas básicas da Teologia Ortodoxa.

Além dessas diretrizes básicas definidas pela conferência e expressas pelo título geral, houve no decorrer das reuniões uma infinidade de pontos problemáticos postulados pelos palestrantes, o que gerou profunda preocupação com o conteúdo Ortodoxo.

Citamos aqui algumas dessas posições problemáticas:

- "A justaposição entre Oriente e Ocidente deve encerrar” (Marcus Plested, Segunda Sessão em 6/4/2010 e diácono Pavel Gavgetheruk, Quinta Sessão em 06/04/2010).

- "Na sua abordagem escolástica às Escrituras, que é tão cara para os fundamentalistas, eles acreditam que toda sentença da Bíblia é inerrante" (John Fotopoulos, Quarta Sessão 06/04/2010).

- "Graças a Jung, podemos finalmente entender a teoria dual da Cruz" (George Dimakopoulos, quinta sessão 04/06/2010).

- "O método contextual nos ajuda a comparar os Padres com os não-Ortodoxos" (Arcebispo Hilarion Alfeyef, de Volokolamsk, Terceira Sessão 06/04/2010).

- "O foco do Pe George Florovsky na mente dos Padres revela uma fraqueza em sua metodologia e interpretação" (John Behr, Segunda Sessão 06/04/2010).

- "Uma visão que afirma que a única verdade é imperialista" (George Dimakopoulos, quinta sessão 06/04/2010).

- “A teologia deve estar de acordo com as formas liberais de pensar, para que possa se afastar da tradição patrística” (Alexei Nesteruk, quinta sessão 06/04/2010).

- "Trembelas desconhece todos os três volumes da dogmática de Barth” (pe Dimitrios Bathrellos, Quinta Sessão 06.04.2010). Comentário: Certamente é verdade que na dogmática de Trembelas existem omissões, mas a omissão ou ignorância sobre o sistema protestante de dogmática dificilmente pode ser considerado uma avaliação crítica séria [em uma conferência supostamente Ortodoxa].

- "A tradição não pode garantir a verdade. Se o [método] interpretativo de Gadamer pudesse ser aceito, ajudaria a Ortodoxia a não manter a tradição como uma fortaleza da verdade" (Assaad Katan, Sexta Sessão 05/06/2010).

- "Precisamos buscar as sementes da teologia pós-patrística nos próprios Padres" (Diácono John Manousakis, Sexta Sessão 06/05/2010).

- "É hora de acabar com estereótipos e mitos da teologia" (Daniel Ayuch, quarta sessão 04/06/2010)

.- "A partir do século VIII, a teologia [ortodoxa] carece de originalidade e produção teológica" (Daniel Ayuch, quarta sessão 04/06/2010). Comentário: O Sr. Ayuch parece não estar informado sobre [vários teólogos, especialmente] São Gregório Palamas.

- "A Igreja é todos os outros cristãos" (Padre Emmanuel Klapsis, décima sessão de 06/06/2010).- "É necessário ir além dos Padres, pois eles se comprometeram com o espírito do mundo" (Pantelis Kalaitzidis, Décima Sessão 06/06/2010).

- "Precisamos ir além dos Padres" (Diácono Pavel Gavgetheruk, Quinta sessão 04/06/2010).

- "As escolas Ortodoxas [teológicas] devem convidar teólogos não ortodoxos para ensinar" (Diácono Pavel Gavgetheruk, quinta sessão 06/04/2010).

"Devemos ver os "padres" ocidentais, como Tomas de Aquino, como colaboradores dignos de nossa atenção" (Diácono Pavel Gavgetheruk, quinta sessão 06/04/2010).

- "Devemos tentar avançar em direção a uma teologia Ortodoxa das religiões" (Padre Emmanuel Klapsis, Décima Sessão 06/06/2010).

- "Os cônjuges devem poder receber a Sagrada Comunhão sem abstinência conjugal às vésperas da Divina Liturgia" e "a Sagrada Comunhão deve ser oferecida às mulheres durante o período da menstruação" (Pantelis Kalaitzidis, décima sessão de 6/6/2010 e Helen Kasselouri- Chadjivassiliadis, Sexta Sessão, 6/5/2010). Comentário: Enfatizamos aqui que São Timóteo de Alexandria respondeu adequadamente a essas questões em suas perguntas e respostas canônicas, registradas no Pendalion e validadas pelo Quarto, sexto e Sétimo Sínodo Ecumênico.

- "Deve haver uma reinterpretação de nossa tradição dogmática" (Pantelis Kalaitzidis, Décima Sessão 06/06/2010).

- "A teoria da evolução não entra em conflito com a doutrina da criação" (Pe Andrew Louth, Sétima Sessão 06/05/2010).

- "Os Padres transcenderam a teologia cristã arcaica ... e agora devemos transcender [ultrapassar] os Padres" (Pantelis Kalaitzidis, Décima Sessão 06/06/2010).

- "Todo nascimento tem dores de parto, mas disso surgirá algo novo" (Sua Eminência, Metropolita de Demétrias e Almyros, Inácio, considerações finais da Conferência, Décima Sessão de 06/06/2010). Comentário: Deve-se enfatizar aqui que os dogmas da Igreja foram, de fato, resultado de um processo ascético, néptico e teológico meticuloso, e como toda criança nasce apenas uma vez, da mesma forma, os dogmas não precisam renascer ou, como foi afirmado muitas vezes na conferência "redefinidos". 

Todas as seleções acima [destacadas] de algumas das posições dos palestrantes nesta conferência precisam de explicações completas.

Não negamos a liberdade de expressão no campo da teologia Ortodoxa, mas não podemos aceitar a liberdade de raciocínio para acabar como um raciocínio protestante. Os organizadores da conferência devem apresentar explicações adequadas para evitar confrontos desnecessários por "nascimentos" infrutíferos.

Nossa Teologia precisa crescer na Graça do Espírito Santo. E isso pode ser feito através dos Santos, que estão sempre presentes na Igreja.

Aguardando a Hierarquia para intervir adequadamente em relação a esta ofensa escandalosa contra o rebanho de Cristo, continuo sendo seu,

Com o mais profundo respeito,

O menor entre os bispos

Metropolita
† de GLYFADAS, PAVLOS

segunda-feira

A Igreja Suicida: em Corpo ou Espírito - Arquimandrita Gregorios(Estephan)











"A Igreja Suicida: em Corpo ou Espírito"
Arquimandrita Gregorios(Estephan) - Abade do Mosteiro da Dormição da Mãe de Deus - Bkefitine




Cristo ressuscitou! Verdadeiramente Ressuscitou! 
Cristo Ressuscitou, apesar de todas as tentativas de Satanás para impedir Sua ressurreição. Nem as pandemias nem todos os males deste mundo são capazes de impedir a Ressurreição de Cristo. Cristo Ressuscitou e a criação ainda treme até os dias de hoje quando contempla a luz da Ressurreição, assim como aconteceu há 2000 anos. Ainda existem pessoas que compreendem a Ressurreição de Cristo e, embora sejam poucas em número, gritam: 'Cristo ressuscitou!' E, graças aos seus gritos, a Vitória de Cristo sobre o mal e a corrupção continua avançando neste mundo.

Agora mesmo, somos capazes de experimentar a ressurreição de nossas almas enquanto aguardamos o dia em que Cristo, nosso Deus, virá! Então, nossos corpos serão ressuscitados para a imortalidade. A ressurreição da alma ocorre quando os pecados dela são perdoados, enquanto a ressurreição do corpo é estabelecida em seu ascetismo e sua morte em relação as paixões deste mundo. O Senhor Jesus Cristo ensinou claramente sobre a eterna diferença entre a alma e o corpo, entre a salvação da alma e a saúde do corpo: “Pois o que é mais fácil dizer: teus pecados foram perdoados, ou : Levanta-te e anda? (Mateus 9: 5). Cristo claramente nos mandou lutar pela ressurreição de nossas almas e não temer a morte de nossos corpos. O verdadeiro medo é de que nossas almas e corpos pereçam no inferno (Mateus 10:28). Viver essa ressurreição requer primeiro a Verdadeira Fé no Filho de Deus; "Mas sem fé é impossível agradá-Lo" (Hb 11: 6). A plenitude da fé é a submissão do homem, em sua totalidade, nas mãos de Deus, o que ocorre quando ele exerce plenamente a obra de Deus. Para aquele que na fé se submete ao próprio Deus e à sua vontade, Deus se torna tudo em todos.

Através dessa fé firme e forte, pela qual Deus se torna tudo para o homem, a Igreja pôde, desde o início, confrontar os poderes do inferno e derrotá-los. Por meio da fé, nossos Pais expressaram teologia, confirmaram os Dogmas da Igreja e caminharam nas trevas deste século, apesar das perseguições e ameaças de morte: “pela fé subjugaram reinos, fizeram justiça, obtiveram promessas, fecharam a boca dos leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza se fortaleceram, esforçaram-se na batalha ... ”(Hebreus 11: 33-39).

Como nossos Pais enfrentaram, por meio dessa fé, as duras tentações deste mundo, da mesma forma, até hoje, eles enfrentam os males crescentes, tanto do tipo natural quanto do tipo moral. Entre esses males está a pandemia que está abalando o mundo hoje, e que Deus permitiu para testar minuciosamente a fé de muitos que nEle crêem. É claro que esta pandemia, seja ela natural ou sintetizada, foi explorada com um objetivo além do aparente, ou seja, destruir nos crentes em Jesus Cristo o que resta da esperança na Ressurreição e na eterna vitória sobre morte. Um plano satânico foi cumprido através dessa pandemia que se espalhou na maioria das áreas do globo; esse plano é resumido a seguir: promover o medo da pandemia - introduzir as pessoas em um estado de horror - resultando no colapso da Fé viva em Jesus Cristo. Este colapso da Fé viva, que está ocorrendo nas almas cristãs, é necessário para preparar a vinda do Anticristo. A mídia semeou o medo da morte nas almas dos homens, causando-lhes o pânico. Mesmo muitos cristãos que não devem temer a morte, sabendo que a vida está nas mãos de Deus, estão em pânico por causa dessa pandemia. Eles temem a morte do corpo, esquecendo-se do que está relacionado à morte espiritual da alma.

Esse medo da doença e da morte prevalece sobre as almas de muitos, levando ao colapso da fé. Isso revela como a fé deles era fraca e frágil para começar. Quando a fé está enfraquecida, chegando ao ponto de provocar dúvidas sobre a providência de Deus e, como resultado, causar o temor de ir à Igreja e participar do Corpo e Sangue de Cristo, o próprio Cristo é banido das almas desses "fiéis". A totalidade de nossa jornada de vida até Cristo Jesus é, antes de tudo, uma jornada de fé: “e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. ”(Gálatas 2:20). Esse medo injustificado que o mundo semeou nas almas de muitos, deveria ter sido enfrentado pela Igreja, fortalecendo a fé e o apego do seu povo ao Salvador, Jesus Cristo! Mas, em vez disso, eles se renderam a esse medo junto com o povo. O rebanho dos fiéis precisava vitalmente solidificar sua Fé em Cristo, evitando o colapso da Fé como resultado da pressão planejada e concentrada exercida pela mídia. Quando as Igrejas são fechadas durante as tribulações, a confiança dos fiéis na Igreja não diminui?

Perguntamos com honestidade, não havia outro meio ou solução gradual, levando em consideração todas as medidas de saúde, para enfrentar essa pandemia sem que as Igrejas fossem fechadas e sem que nos rendêssemos a um suicídio espiritual coletivo? Ir à Igreja durante pandemias, tentações, dificuldades e perseguições não significa que estamos tentando a Deus como se estivéssemos convidando algo a nos acontecer, mas, sim, com isso, estamos dizendo a Ele que andamos com Ele em Fé, revelando que o que mais precisamos é estar com Ele durante essas mesmas aflições, unidos a Ele em Seu Corpo e Sangue, a fim de confrontar esta pandemia e os perigos das doenças, bem como todas as outras catástrofes que nos aguardam. Quando os cristãos, durante grandes perseguições e no período do comunismo, arriscaram suas vidas para entrar nas catacumbas e se reunir à mesa do Senhor, eles expressaram seu amor a Cristo mais do que em si mesmos, uma expressão de seu conhecimento de que a vida Verdadeira existe nesta Mesa Eucarística e não em seus corpos.

Estamos testemunhando um choque entre o intelecto do homem e a Fé. Deus deu o intelecto para ser iluminado pela fé, mas não para que ele vagasse separado dela. Não para que duvidemos da economia de Deus para nossa raça, identificando-se assim como autossuficientes.

Na Igreja Ortodoxa sempre ocorreu um conflito entre estes dois princípios: racionalismo e fé-espiritualidade. Desde os dias dos gnósticos e de Ário, e através do escolasticismo e de Barlaam, até o racionalismo mundano perpetrado pelo ecumenismo contemporâneo, a Igreja está em um estado de luta incessante, a fim de preservar a revelação de Deus que nos foi oferecida por Ele e que está guardada dentro de nossa Fé Ortodoxa. Essa fé não é apenas um dos Dogmas, mas também a Fé da piedade e da verdadeira vida espiritual. Pela fé, o cristão submete sua vida a Cristo, sem nenhum medo do que poderia acontecer com sua vida. No entanto, a lógica racional justifica o medo e a fuga do homem, mesmo diante da face de Deus, a fim de proteger a vida de seu corpo.

O ateísmo que se espalha vigorosamente no Ocidente, e dele para o mundo inteiro, foi o resultado principal desse racionalismo que dominou a teologia do Ocidente desde o século IX. O escolasticismo estabeleceu o homem ocidental na racionalização de todos os aspectos de sua vida, resultando, para eles, na adoração a Deus não mais mantida em "espírito e em verdade", mas no intelecto e nos sentimentos humanos. A fé que é examinada pela experiência torna Deus um Deus vivo e não um pensamento abstrato. Assim, o homem ocidental foi conduzido do racionalismo ao niilismo e a qualquer ateísmo que os seguisse.

Aqueles que adoram a Deus em "espírito e em verdade" são capazes de perceber a mão de Deus e Sua sabedoria em tudo o que acontece nesta vida. Mas o homem racionalista não pode ver nada além de sua análise intelectual dos eventos, pois contempla tudo através das lentes de sua lógica humana decaída. Foi isto que nos foi revelado na recente experiência desta pandemia: alguns a consideraram um sinal da ira de Deus, resultante de todas as iniquidades, profanações, ateísmo e apostasia que agora dominam o mundo. Mas os intelectuais só veem nela um incidente natural, como consequência de causas humanas ou naturais, pois para eles Deus é “amor” e infinita misericórdia, e Ele é realmente assim. Mas aqueles que se deleitam em suas próprias ideias, ignoram que o amor de Deus é dado apenas àqueles que O respeitam, oferecendo arrependimento e trabalho para guardar os mandamentos e adquirir as virtudes. Deus quer a salvação do homem: “A quem o Senhor ama, Ele corrige” (Provérbios 3:12). Quando falamos sobre a ira de Deus, não é que a ira e as paixões existam na natureza de Deus; é porque o homem que é obscurecido pelo pecado não pode ver a Deus, exceto nesse estado, o estado obscuro de sua alma reflete o dom de Deus em si mesmo de uma maneira distorcida. Quanto mais o mal e a corrupção estão enraizados no coração do homem, mais ele precisa de tentações mais duras para se afastar deste mal; e o objetivo é o arrependimento e a salvação do homem. A ira de Deus é o julgamento justo de Deus.
Os intelectuais que rejeitam essa ira divina são geralmente aqueles que entendem o cristianismo como uma religião moral e se esforçam para aplicar assuntos externos à lei. Seu deus é emocional e perdoa as iniquidades dos homens, eles se arrependendo ou não, sendo purificados de suas paixões ou não. Esse é o resultado do pensamento protestante, que é promulgado em muitos círculos teológicos Ortodoxos, cujo objetivo é aliviar a consciência das pessoas que estão satisfeitas com suas paixões e não querem lutar para se libertar delas. Aqueles que promovem o modernismo da Igreja, ou seja, que se adaptam ao espírito da era moderna, sob a influência do ecumenismo contemporâneo, são compatíveis apenas com esse deus, um deus criado à imagem do homem e à sua semelhança; esse é um deus que desce ao homem, não para elevá-lo ao nível de sua divindade, mas para coexistir com as paixões do homem.

Desde o tempo da queda, a advertência de Deus foi claramente expressa: se você transgredir o mandamento "certamente morrerás". Mas, se não me ouvirdes, e não cumprirdes todos estes mandamentos, E se rejeitardes os meus estatutos, e a vossa alma se enfadar dos meus juízos, não cumprindo todos os meus mandamentos, para invalidar a minha aliança, Então eu também vos farei isto: porei sobre vós terror, a tísica e a febre ardente, que consumam os olhos e atormentem a alma...Se ainda com estas coisas não vos corrigirdes voltando para mim, mas ainda andardes contrariamente para comigo, Eu também andarei contrariamente para convosco, e eu, eu mesmo, vos ferirei sete vezes mais por causa dos vossos pecados. Porque trarei sobre vós a espada, que executará a vingança da aliança; e ajuntados sereis nas vossas cidades; então enviarei a peste entre vós, e sereis entregues na mão do inimigo.” (Levítico 26: 14-25).

Aqueles que confiam em sua oferta de intelecto, em vez de confiar na Fé movida pela graça do Espírito Santo, significam simbolicamente a maioria dos eventos da Bíblia quando estes não estão em conformidade com seus próprios pensamentos. A Igreja observou que as palavras de Deus na Bíblia são claras: que todas as pragas e desastres naturais e humanos não têm outra causa exceto os pecados dos homens. Desde o início, Deus estabeleceu uma conexão entre a criação irracional e o homem criado à Sua imagem e semelhança, essa criação é ajustada com o arrependimento do homem e se revolta sob a ação de seus pecados. A Bíblia é clara, Deus permite que pragas sejam desencadeadas sobre os homens, mas o objetivo não é a vingança, e sim o seu arrependimento. O Profeta Jeremias diz: “Volta, renegada Israel, diz o SENHOR; e não farei cair a minha ira sobre vós; porque sou misericordioso, diz o SENHOR, e não guardarei a minha ira para sempre. (Jeremias 3: 12-13). O pecado separou o homem de Deus: "Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça" (Isaías 59: 2). Pois Deus quer corrigir Seu povo não para aterrorizá-lo e destruí-lo. Assim, o mundo é reconciliado e escapa à ira e julgamento de Deus através do arrependimento: "se não se arrependerdes, todos igualmente perecereis". (Lucas 13: 3,5). São Basílio, o Grande, revela que pragas e doenças são permitidas por Deus para curar o pecado e o mal, porque o objetivo de tais aflições é advertir os fiéis a evitar os tormentos do julgamento eterno [1].

O dever dos cristãos é orar sem cessar por todas as pessoas, embora cheio da esperança de que elas venham a se reconciliar com Deus através do arrependimento. A misericórdia de Deus continuará no mundo enquanto houver pessoas que se arrependam no mundo. O arrependimento é realizado vivendo a vida mística da Igreja.

Deus enviou o Profeta Jonas para avisar o povo de Nínive que Sua ira estava chegando sobre eles. A Bíblia diz sobre o arrependimento do povo de Nínive: "que homem e animal sejam cobertos com pano de saco" (Jonas 3: 8). São João Crisóstomo explica este ditado: “Ouvimos dizer que quando a cidade recebeu essas notícias, não caiu em desespero, mas foi energizada pelo arrependimento e, embora não tivesse um conselheiro de salvação, começou a adorar a Deus e se reconciliar com Ele".  São João continua perguntando: "O que eles fizeram para alcançar a reconciliação?" Ele responde que foi o arrependimento de todo o povo com seus líderes que efetuou isso: “o Livro diz: Pois veio a palavra ao rei de Nínive, e ele se levantou do seu trono, e tirou o manto dele, e cobriu-se de saco e sentou-se na cinza ”. Ó rei sábio! Ele próprio foi o primeiro a declarar arrependimento, a fim de levar sua cidade a um estado melhor. Pois quem pode ver o próprio rei lutando pela salvação e definhar a partir de agora? As feridas da coroa são curadas por panos de saco, ele limpa os pecados do trono sentando-se em cinzas, ele trata a doença do orgulho humilhando sua aparência, jejuando, ele trata as feridas do luxo ... e, ao fazê-lo, praticamente acorda todo mundo com o chamado de andar da mesma maneira. ”

Através do seu arrependimento, eles derrotaram os demônios que estavam tentando afastá-los de Deus. São João Crisóstomo continua enquanto comenta o versículo “que homem e animal sejam cobertos com pano de saco”: “ Ó ordem celestial! Que comboio que aterroriza Satanás! Satanás estava de pé chorando ao ver todo o seu exército se voltando para Deus e lutando contra os demônios. Havia crianças, mulheres e bebês lutando ao lado dos homens nessa batalha, até as criaturas irracionais participaram da guerra ”.

Desde os tempos antigos, esse é a condição das pessoas que ouvem o aviso de Deus e se arrependem. A disseminação de pandemias não é algo novo na história, aconteceu várias vezes. Mas a diferença está no método usado para enfrentá-las. A própria história secular testemunha como, durante os tempos em que desastres naturais, pragas e doenças diferentes se espalhavam entre as pessoas, a Igreja costumava confrontá-las com uma série de obras de piedade, como jejum por vários dias, procissões com Ícones, orações para receber A Misericórdia de Deus e Sua compaixão pelo povo enfermo, para perdoar seus pecados. Durante as pragas, os fiéis costumavam se esforçar, antes de qualquer coisa, para expulsar todas as imaginações demoníacas que poderiam estar contaminando-os com a doença, e assim, recitando os Nomes Divinos e pedindo refúgio na Igreja junto com os santos, Objetos Sagrados e Ícones Milagrosos, eles costumavam procurar os homens santos de Deus, a fim de pedir-lhes sua intercessão diante de Deus para deter a calamidade e orar por sua cura [2]. Ainda mais importantes foram as ações de arrependimento e a participação nos Santos Mistérios, este era o remédio, além das orações pelos enfermos [3]. Diz-se da praga bubônica que atingiu Moscou em 1770, que muitos padres resistiram veementemente às políticas governamentais que proibiram os serviços da Igreja e as práticas tradicionais; a resistência do clero e dos leigos resultou em um protesto arriscado, onde o arcebispo, que era um agente do governo, foi morto [4].

A Igreja enfrentou as consequências do pecado através de uma fé firme e do fortalecimento da piedade nas almas de seus membros. Hoje também, se não enfrentarmos esta pandemia atual pela oração, súplica e arrependimento, e mais importante, pela realização das Divinas Liturgias e através do recebimento do Corpo e Sangue de Cristo, que nos liberta da morte eterna, com o que então devemos confrontá-la? Fugindo e se isolando? Os cristãos, nas prisões e minas durante o exílio, perceberam profundamente sua grande necessidade de participar do Corpo e Sangue de Cristo, de modo que seus sacerdotes costumavam celebrar a oferta Divina nos peitos dos fiéis; o peito dos fiéis se tornou um altar para Deus.

Estamos em um momento em que precisamos do Corpo e Sangue de Cristo, mais do que em qualquer outro momento, para que sejamos nutridos e recebamos a força para resistir a todo mal e doença. Embora saibamos que, com a permissão de Deus, podemos adoecer devido a esta pandemia, os fiéis que adoecem e prosseguem sua luta na Igreja e sua participação em seus Mistérios, são como um soldado na arena de batalha resistindo a todo o mal, não por sua própria força, mas pelo poder do dom salvífico da Redenção. Quem participa do Corpo e Sangue de Cristo, sabendo que é o Verdadeiro alimento para a vida eterna, ainda pensa na morte corporal? A morte dessa pessoa, portanto, se assemelha à morte dos mártires [5].

Alguns fiéis podem morrer antes do final da pandemia; eles devem estar prontos, participando do Corpo e Sangue de Cristo como provisão de sua salvação; [este] é o selo de sua passagem por todos aqueles espíritos indisciplinados do ar.

São Cipriano de Cartago enfrentou o sofrimento dos cristãos, que não apenas suportaram as pragas que devastaram o império entre 250 e 270, e reivindicaram suas vidas por doenças e pela morte, mas também as acusações dos pagãos de que essas doenças e pragas foram causadas pela recusa dos cristãos em adorar os deuses do império. São Cipriano escreveu um tratado “sobre a mortalidade” para firmar os cristãos em sua fé e fortalecer essa fé diante dos perigos dessas pragas. Ele diz a eles para acolher a morte sem temê-la; e que essa confusão diante da morte indicava um forte apego aos prazeres mundanos; que o sofrimento e a morte pelas doenças os libertam do mundo e os promovem mais rapidamente em direção à Glória Eterna [6].

Alguns nos criticaram de maneira injusta e agressiva, como se estivéssemos promovendo alguma heresia horrível, porque exigimos que as Igrejas permanecessem abertas; no entanto, estávamos simplesmente exercitando nosso direito de expressão Ortodoxo, como membros fiéis da Santa Igreja. A intolerância às opiniões dos outros indica um espírito autoritário individualista e não o espírito Ortodoxo conciliar. Isso vale quando não ultrapassamos os limites da fé e do discurso estabelecidos em nossa tradição Ortodoxa. Todo discurso que não está enraizado na teologia de nossa Tradição Ortodoxa está enraizado na vaidade e rapidamente se transforma em heresia. A obediência é essencial na Igreja, essa é a obediência na Verdade Única. Tudo na Igreja deve respeitar à obediência, exceto aquilo que entra em conflito com a Fé e os Mistérios. Assim, toda obediência que não encontra raízes na obediência à Tradição da Igreja, que inclui a fé, os Dogmas e os cânones, é uma obediência fútil, e a humildade correspondente (que está sendo promovida) é uma falsa humildade.

Exigir que as Igrejas se fechem e com isso privar os fiéis do Corpo e Sangue de Cristo não deveria ter acontecido à força, quando não há razão enraizada na Fé para isso. Não julgamos ninguém, mas esperávamos que aqueles que resistiram agressivamente à abertura das Igrejas por causa dos fiéis, e fizeram disso uma questão de vida ou morte, aceitassem aqueles que desejavam manter as Igrejas abertas, e deixasse-os assumir a responsabilidade de seus atos diante de Cristo no último dia, quando todos permaneceremos, especialmente bispos e sacerdotes, para prestar contas, sejam boas ou más, por tudo o que fizemos com Sua Santa Igreja.

Seria mais lucrativo para essas pessoas olhar, por outro lado, para as questões mais perigosas que tratam da Fé e perturbam nossa Santa Igreja, como permitir a Comunhão aos não-ortodoxos e a participação de padres Ortodoxos em serviços liturgicos não-ortodoxos e vice-versa. Não seria mais benéfico para eles perseguir aqueles que promovem ideias que estão em desacordo com a Tradição Ortodoxa, e que até ressoam em seus próprios círculos eclesiásticos? Aqueles que semeiam a ideia de secularizar a Igreja, alterar o estilo de vida piedoso e modernizar a fé Ortodoxa começaram com a aceitação da homossexualidade como um estado normal, a promoção de mulheres ao sacerdócio, a troca de experiências espirituais com os heterodoxos e finalmente, dizendo que doenças contagiosas são transmitidas através do pão e do vinho, que o Espírito Santo transforma no Verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo. Dizer que o Divino Corpo de Cristo, que se tornou uma fonte para a deificação do homem, pode ser uma fonte de transmissão de doenças, é equivalente a dizer que o verdadeiro Corpo de Cristo, que Ele tomou em Sua Encarnação e que Ressuscitou dos mortos e ascendeu para o céu, pode transmitir doenças e pragas. A Igreja nunca viu no Corpo e Sangue de Cristo nada além de um caminho para a deificação do homem e sua plena união com Deus, o Verbo, e uma provisão para a vida eterna. Todos que pensam de outra maneira, que o Corpo e o Sangue de Cristo podem transmitir doenças de qualquer forma, certamente está em apostasia do Espírito Santo, que causa essa Transformação.

O Verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo apenas transmite a vida eterna, entrando em nosso corpo e sangue, o próprio Cristo nos transformando em Seu Corpo e Sangue; nos tornamos um corpo e sangue deificado pelo Corpo e Sangue de Cristo. Isso transmite doenças e germes? Na Santa Igreja de Cristo, apenas as ideias envenenadas pela heresia transmitem verdadeiramente pragas e doenças espirituais fatais; os germes dos ensinamentos corruptos são a verdadeira pandemia na Igreja de Cristo, são imensuravelmente piores do que qualquer pandemia material. Eles matam a alma e destroem a jornada para a salvação.

Por que todos estão calados diante de todos esses males e perversões que estão afetando a Igreja de Cristo e desorientando sua missão de salvação da humanidade? Aqueles que falam com um entusiasmo tão ilegal em apoio ao fechamento da Igreja, têm tanto zelo pela pureza da Fé Ortodoxa? Eles seriam tão zelosos em aplicar os Cânones da Igreja quanto são em se submeter às leis das nações? Todos emergiram como zelosos pela salvação dos corpos dos fiéis, mas não lhes disseram nada para fortalecer sua fé em Cristo e para a salvação de suas almas. Essa salvação consiste no arrependimento e na preservação da Fé Ortodoxa, no ascetismo e na luta para guardar os mandamentos de Cristo. Todas essas questões revelam um estado espiritual fraco e mundano [agindo]sobre a Igreja e o desenraizamento dos fiéis da tradição litúrgica e ascética. Este é o resultado do ecumenismo e da falta desse discernimento que se divide entre a verdade Ortodoxa e as heresias, entre permanecer firme na Tradição e a abertura a ensinamentos e experiências heterodoxos.

Os heterodoxos, juntamente com os Ortodoxos que foram influenciados por eles, prometem uma salvação fácil, na qual o Espírito sopra aleatoriamente "onde quer que Ele deseje", e assim promovem a ideia de que Ele salvará todos aleatoriamente também. Em nossa Teologia Ortodoxa, “o Espírito sopra onde quer que Ele deseje”, mas Ele não deseja o que queremos (em nossas paixões de orgulho e amor próprio); antes, como Ele é o “Espírito da Verdade”, Ele sopra aos não-fiéis, a fim de levá-los à “Verdade” - ao verdadeiro Cristo (inalterado por ensinamentos heterodoxos). É assim que Ele conduz aqueles que O seguem à salvação eterna.

Para aqueles intelectuais que se esforçam em modernizar a Fé Ortodoxa, os Dogmas são nada além de princípios filosóficos e teóricos sem valor no nível da vida prática. Mas, de acordo com a verdadeira Fé Ortodoxa, os Dogmas são a entrada para a experiência do verdadeiro conhecimento de Deus; um conhecimento iluminado pelos Dogmas que nos ensina sobre o Deus vivo. “Os Dogmas Sagrados são verdades divinas, eternas e salvadoras, pelo poder vivificador da Divindade Tri-Hipostática” [7]. Somente através do Dogma correto somos levados à plenitude da Fé e à experiência da visão de Deus. Este é o caminho para a cura e a salvação, que revela a Verdade Divina em sua totalidade, enquanto traça a fronteira entre o que é Verdadeiro e o que é falso, entre vida e morte, entre Cristo e os anticristos.

A União Europeia, na maioria de seus países membros, impôs esse fechamento às Igrejas ortodoxas, interrompendo assim o trabalho de santificação da criação. O que o mercado europeu não foi capaz de realizar em nossos países, foi cumprido pelo movimento ecumênico - capaz de fechar nossas igrejas e transferir o mistério de nossa salvação para essa peça de teatro que eles transmitem para nossas casas através da mídia on-line; e nossos pastores se orgulham disso, infelizmente.

Aquele que entende o Mistério da Cruz, o Mistério de toda a obra de Cristo, e que Ele mesmo não fugiu da morte, mas foi a ela de bom grado, a fim de Se sacrificar pela salvação de Seus amados, entende que também é nosso dever encontrar o Senhor no Mistério de Sua morte e Ressurreição, sem medo de doenças ou morte. Portanto, não podemos parar este trabalho Divino em andamento, que existe apenas em nossa Divina Eucaristia. “É a hora de o Senhor agir”, e todo tempo passado fora da Eucaristia, ou que não recebe a força desta Eucaristia Divina, é um tempo em que o demônio está trabalhando. Nesta Eucaristia, reiteramos todo o Mistério da Cruz e da Ressurreição de maneira mística, o Mistério da salvação que, se interrompido, provoca uma interrupção na jornada do homem e da criação em direção à salvação. Para nós que somos Ortodoxos, o lugar da Eucaristia permanece totalmente diferente do que é para os não-ortodoxos. A Eucaristia Divina nos dá o próprio Cristo com seu Corpo e Sangue, é uma verdadeira união com Jesus Cristo, é claro, de acordo com as Energias Divinas, não a Essência Divina. Não é um ícone do Reino, mas a primeira experiência e uma verdadeira antecipação do Reino e da vida Divina - uma experiência neste mundo que está sangrando das feridas de todos os tipos de pecados, heresias e males. Nesta Eucaristia que é comemorada com frequência, ou melhor, diariamente, a Igreja vive toda a experiência da vida eterna. É a chave do Reino celestial, enquanto a cessação desta Eucaristia, por meio dessa [interrupção], nada mais é do que o fechamento da porta do Reino.

Santo Inácio de Antioquia considera que a Divina Liturgia é necessária por duas razões: para nos preservar da morte espiritual e "nos proporcionar a vida eterna em Cristo", é por isso que a chama de "medicina da imortalidade". Como o corpo é necessário para a vida da alma, a Eucaristia Divina é necessária para a criação. O corpo precisa respirar continuamente, o mesmo acontece com a criação que precisa dessa Eucaristía continuamente, pois, caso contrário, ela morre e toda a estrutura de sua existência é perturbada. Essa Eucaristia é o espírito que toda criação respira, ambas, racional e irracional, até os próprios anjos recebem dela os meios para adorar a Deus em Jesus Cristo. Cristo ficou claro quando disse: "Se não comerdes a carne do Filho do Homem e bebermos o Seu sangue, não tendes vida em vós". (João 6:53).

Dias de dificuldades extremas chegarão em breve ao nosso mundo, quando serão vistos piores e mais inumeráveis ​​males. “Também sabemos que nos últimos dias virão tempos perigosos” (2 Timóteo 3: 1), porque as pessoas se afastaram da Verdadeira Fé, “dando ouvidos a espíritos sedutores e doutrinas de demônios” (1 Timóteo 4: 1). Isto é o que o Senhor quis dizer quando advertiu Seu povo no Antigo Testamento, de que se eles não se arrependessem e guardassem Seus mandamentos, Ele acrescentaria sete vezes as pragas sobre eles, e Ele reitera esse aviso das sete pragas por quatro vezes. São Justino, o Mártir, diz que: “Deus atrasa, para a raça humana, a obra do julgamento (o fim do mundo), pois Ele sabe de antemão que ainda haverá alguns que serão salvos pelo arrependimento, e talvez alguns deles tenham ainda que nascer ”[8].

O fim do mundo chegará, não quando o anticristo se tornar forte, mas quando a Igreja se tornar fraca (Arcebispo Sergei Baranov). Se a força da Igreja existe em seus Mistérios, e especialmente no mistério da Eucaristia, então sua fraqueza, e antes sua morte, é encontrada na interrupção dessas Liturgias.

Também devemos considerar que, como a Igreja se rendeu com tanta facilidade por causa dessa pandemia, até o fechamento de suas portas, o que ela fará quando o Anticristo chegar? Algum de nós faz esta pergunta? A interrupção dessas Liturgias, embora temporária, não passa de um sinal entre os sinais do fim dos tempos. Quanto aos últimos dias, Santo Efraim, o Sírio (do século IV), revela que: “as Igrejas pateticamente chorarão pelos serviços sagrados que deixarão de ocorrer nelas e não haverá mais oblações Eucarísticas” [9]. A Igreja de Cristo, que é sempre forte e vitoriosa sobre Satanás, o pecado e a morte, e a respeito da qual o Senhor prometeu que os portões de Hades não prevalecerão sobre Ela, está se submetendo a isso tão simplesmente? Isso não revela sua fraqueza e a fragilidade em sua jornada terrena?

Cristo está em Sua Igreja e com Sua Igreja. Cristo fez de Seu Corpo uma Igreja e tudo o que acontece a Igreja, acontece com o próprio Cristo. Pois todo o Mistério de Cristo, o Mistério de Sua Divindade e Encarnação, existe em Sua Igreja, “a comunhão do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo; Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus,”(Efésios 3: 9-10).

Todas essas lutas espirituais deveriam ocorrer com piedade, pois essa era “a prática dos santos em todas as épocas”. Santo Atanásio nos exorta a que também seja assim o “nosso caminho nesta era atual”, para que possamos celebrar com eles a festa que o Verbo Divino nos convida, “para o que é esta festa, senão para a adoração contínua de Deus, o conhecimento da piedade e a oração incessante de todo coração ”[10].

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[1] São Basílio, o Grande, Quod Deus non est auctor malorum 5 em PG. 31, 337Cff

[2] Procópio, BP 2.22.10–12, pp. 454–57; semelhante em Lemerle, Les plus anciens recueils 37, p. 78. Para a igreja como santuário e local de cura, Vie de Theodore de Sykeon 8, pp. 7–8; Veja: Dionysios Stathakopoulos, Crime e Castigo, A Praga no Império Bizantino, 541–749 em Praga e o Fim da Antiguidade, p. 109-110.

[3] Peregrine Horden, Doença e Cura, Cristandade Medieval Primitiva c. 600- c. 1100, The Cambridge History, p. 430

[4] Alexander, Peste Bubônica no início da Rússia moderna, 186-95; Veja: Jo N. Hays, historiadores e epidemias, em: Praga e o fim da antiguidade, p. 41

[5] Eusébio de Ceasaria, Eusébio. HE 7, 22, 7

[6] São Cipriano de Cartago, De mortalitate 1–17

[7] São Simeão, o Novo Teólogo, (Centurie Ascétique et Gnoséologique, 12) P. Justin Popovitch, Les Voies de la Connaissance de Dieu, Tr. Jean-Louis Palierne, L'Age D'homme 1998, p. 155

[8] São Justino, o Mártir, I Apol. 28, 2

[9] Santo Efraim, o Sírio, Τόμ. Δ΄, 198 και σ. 126-127

[10] Santo Atanásio, o Grande, Επ. 11, 11