Mostrando postagens com marcador Doenças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Doenças. Mostrar todas as postagens

domingo

Enfermidade do corpo e da alma. A Glorificação dos Santos e a precariedade da saúde física - Jean-Claude Larchet






Os Padres admitem, no entanto, que, em certos casos, as doenças podem estar ligadas ao estado pecaminoso daqueles que elas afligem. Assim, embora considere que, em princípio, “a doença não depende de nós”, São Máximo afirma que uma vida desordenada pode muito bem ser sua causa. Em uma linha semelhante, São Barsanuphius fala de “doenças que vêm da negligência e da desordem”.E São Nicolau Cabasilas afirma de forma ainda mais categórica: “Na medida em que “as paixões deixam sua marca no corpo”, como diz São Gregório de Nazianzo, torna-se inegável, nas palavras de São Serafim de Sarov, que “a doença pode muito bem ser gerada pelas paixões”. “169 São Nicolau Stethatos, por sua vez, geralmente incrimina a filautia ou o amor próprio egoísta - considerado pela tradição ascética oriental como a paixão primordial - como a paixão que engendra todas as outras e contém todas as outras dentro de si


 A principal causa da doença, entretanto, são as paixões que a tradição ascética chama de “corporais”, não porque tenham sua fonte no próprio corpo, mas porque só podem se manifestar por meio do corpo, encontrando sua base nas tendências do corpo, como gastrimargia (Γαστριμαργία) ou gula, juntamente com porneia (Πορνεία), que na literatura ascética significa as paixões sexuais em geral. A essas podemos acrescentar a akedia (ἀκηδία), o cansaço da alma que gera apatia do corpo; a irascibilidade que produz distúrbios psicológicos bem conhecidos; bem como o medo e a tristeza.


Além das doenças relacionadas a paixões como essas, podemos encontrar nas Escrituras alguns casos de aflições que, sem dúvida, surgem como consequências diretas de pecados pessoais (Num 12:10; 2 Reis 5:27; 2 Cronicas 21:18; 26:19; I Sam 3:17-18). É apropriado dar uma leitura positiva a esses casos, que, a propósito, são raros. Não devemos ler neles uma noção ingênua de punição, seja por raiva ou como um reflexo mecânico, infligida pela ira divina. Em vez disso, eles representam caminhos providenciais para a salvação, na medida em que, para as pessoas em questão, servem de forma mais adequada para levá-las a reconhecer, por meio da súbita miséria de seu corpo, tanto a doença de sua alma quanto seu afastamento de Deus. Além disso, esses casos também representam um lembrete para os outros - com o objetivo de chamá-los ao arrependimento - do vínculo fundamental e ontológico que une a doença, o sofrimento e a morte ao pecado de todos.


Além desses casos, que chamam a atenção por sua particularidade, não podemos negar a influência geral que o estado da alma exerce sobre o estado do corpo, devido, por um lado, à sua estreita relação com a própria natureza da vida humana e, por outro, à ligação espiritual que acabamos de observar. Essa influência provoca enfermidades naqueles que permanecem submissos ao pecado e às paixões. Os distúrbios espirituais inevitavelmente se expressam na alma e no corpo por meio de doenças que muitas vezes são imperceptíveis para o observador não treinado. 


Os santos, entretanto, sabem como ler sua presença no rosto de uma pessoa, ou então percebem sua manifestação em determinadas circunstâncias, graças ao dom do discernimento que possuem. Por outro lado, na experiência daqueles que purificam suas paixões por meio do ascetismo divino-humano, a influência da alma sobre o corpo se torna uma fonte de purificação. Quando a alma participa da paz divina e do poder da Graça Divina, ela comunica essa paz e essa Graça às funções do corpo. É por isso que muitas pessoas santas atingem uma idade avançada e preservam, mesmo no nível corporal, um vigor notável e uma juventude surpreendente. Enquanto alguns Santos têm como vocação sofrer em seu corpo provações de sofrimento e corrupção, a outros é concedido manifestar a santidade que, pela graça divina, alcançaram em sua alma. Seu corpo, também penetrado pelas Energias Divinas, revela seu destino como algo que transcende o destino comum da matéria.


 São João Clímaco escreve a esse respeito: “Quando um homem está unido e preenchido interiormente com o amor divino, podemos ver em seu corpo, como se refletido por um espelho, o brilho e a serenidade de sua alma, assim como aconteceu com Moisés quando, depois de ter sido honrado com a visão de Deus, seu rosto brilhou com luz." 

E acrescenta: “Acredito que os corpos das pessoas que se tornaram incorruptíveis não são tão suscetíveis à doença quanto os outros, pois, tendo sido purificados pela chama pura do amor divino, não estão mais sujeitos a nenhuma forma de doença”.  


Como os primeiros a experimentar neste mundo a antecipação da Transfiguração e da Ressurreição concedidas por Cristo a toda a raça humana, essas pessoas santas dão testemunho a toda a humanidade do fim de todas as doenças por meio da cura total da natureza humana realizada pelo “Médico supremo da alma e do corpo”. E, por meio desse testemunho, oferecem ao mundo essa mesma antecipação como uma promessa do estado de saúde maior e mais completo que será conhecido no Reino de Deus.


No entanto, para eles (os Santos), assim como para toda a humanidade, a saúde perfeita do corpo durante esta vida nunca poderá ser alcançada. Neste mundo, a saúde perfeita nunca existe de forma absoluta; a saúde é sempre uma questão de equilíbrio parcial e temporário. 


Podemos até dizer que a saúde nesta era atual é simplesmente uma questão de uma enfermidade menor. A própria noção de saúde ideal está, de fato, além de nossa compreensão, pois não reflete nenhuma experiência conhecida por nós nesta vida. Em nossa condição atual, “saúde” é sempre, em algum sentido, “doença” que simplesmente não apareceu como tal e/ou não é significativa o suficiente para ser identificada como tal


fonte: The Theology of Illness, pg 50-53

sexta-feira

Doenças, dor e a Providência Divina - Ancião Simeão (Kragiopoulos)




por Ancião Simeão (Kragiopoulos)

O sacramento da Unção dos Enfermos é para a cura de nossas doenças. Se não somos curados por este Sacramento, é porque não precisamos ser curados. Se você compreende essa ausência da cura, você já está curado. Você já sabe que uma doença, que perdura e não passa, é preciosa.

O que quer que precise desaparecer, Deus removerá. Tudo o que não precisa permanecer, Deus remove, seja uma doença ou uma influência demoníaca. E por tudo o que permanece e nos prejudica, devemos rezar a Deus. Devemos rezar várias vezes, repetidamente devemos rezar, não apenas pela libertação das doenças da nossa alma e das influências demoníacas, mas também pela libertação das doenças corporais.

Vamos rezar a Deus por tudo, de novo e de novo. Não porque Deus precise ouvir nossas orações repetidamente, mas porque precisamos demonstrar, por meio de nossa busca por Ele, nossa fé. Para o homem moderno, essas lições são aprendidas através da repetição.

Se você rezar repetidamente, e você precisa fazer isso, e Deus não responder a sua oração ou remover suas doenças, perceba isto: ou você não mostrou tanta fé quanto Ele quer e espera de você, ou a doença não deve ir porque é necessária para você.

Se você compreender a sua doença da perspectiva de Deus, então, quando ela permanecer, você se sentirá duplamente curado. Se Ele te curar, você será curado uma vez. Se a doença persistir, você se sentirá curado duas vezes. Quando chegar a hora da cura de sua doença, e no momento certo, sua alma experimentará a cura também. Quando isso ocorrer, sua pessoa interior será curada, (pois) esta é a pessoa que sofre de doença, da lepra do pecado.

O mesmo vale para todas as doenças mentais e tudo o mais nos machuca.

“Se o homem encarar todos os seus problemas dentro da providência de Deus, ele sentirá um grande alívio, como se todos os seus problemas estivessem resolvidos.

Porque em Deus tudo está resolvido! 


trecho do livro: Are You in Pain? Looking deeply into the mystery of pain


+++




Como seria bom se não deixássemos nossa dor se perder! De uma forma ou de outra iremos sofrer. Mas toda a nossa tortura e luta irão por água abaixo, a menos que façamos bom uso da dor, a menos que a exploremos. Aproveitamos bem a dor, exploramos bem a dor, quando assumimos a postura correta.

Chega um momento em que a pessoa sente o grande bem que surge da dor e - por mais estranho que pareça - diz: “Nada beneficia a humanidade tanto quanto a dor”.

Quando falamos sobre dor, geralmente nos referimos à doença, ao declínio físico geral do homem e à morte. Se não fosse por eles, seríamos como bestas brutais. A sociedade seria uma selva. Mas graças a eles, ficamos domados.

O cristão é capaz de fazer um bom uso de todas as dores, de modo que pode estar constantemente no Paraíso.

Saiba disso: quando a dor tiver completado o seu trabalho, Deus a leva embora. Não é difícil para Deus remover qualquer dor.

Quando sofremos, quando uma dor persiste, pensemos assim: “Deus quer que disso saía algo bom em mim; e eu ajo como se não entendesse. E tudo que eu faço é gemer e gemer. ”

Que não haja nenhuma reclamação, nenhuma rebelião, nenhuma ignorância. Se possível, qualquer que seja a dor que você sente, enfrente-a dizendo estas palavras: “Bendito seja, meu Deus. Seja feita Tua vontade." Dessa forma, nossa dor não será desperdiçada, mas será explorada ao máximo. Tiraremos vantagem disso, e o grande bem salvífico virá aos nossos corações.

Quando Deus te visitar com tristezas, diga: “Obrigado, meu Deus. Como eu não tinha absolutamente nenhuma intenção de abraçar algumas coisas ruins, algumas dores e realmente seguir Teu caminho, Tu me alcançou e me deu algumas. Como posso agradece-Lo o suficiente? ”