quarta-feira

O Enigma do "EU SOU" - "His Life is Mine" (São Sofrônio de Essex)

 


 


 O Enigma do "EU SOU"

"His Life is Mine" - Capítulo II

O Ser Primordial se fez conhecido para nós através do Nome EU SOU O QUE SOU (Êx 3.13 - 14). Quem foi abençoado através de um encontro vital com Ele, em alguma medida, está habilitado para avaliar as manifestações de Deus descritas no Antigo e no Novo Testamentos. Essas revelações progressivas das esferas celestes são de suma importância, além das quais todas as outras ocorrências na história do mundo se tornam insignificantes. Não apenas nossa atividade secular, mas tudo o que a mente apreende do infinito cosmos é uma preparação para o milagre indescritível da entrada do espírito na vida Eterna, compacta de amor.

Séculos se passaram antes que o verdadeiro conteúdo desse incrível “EU SOU” fosse entendido. Apesar de todo o fervor de sua fé, nem Moisés nem os profetas, que eram seus herdeiros, apreciaram ao máximo as bênçãos que lhes foram concedidas. Eles experimentaram a Deus principalmente através de eventos históricos. Se eles se voltassem para Ele em espírito, contemplariam nas trevas. Quando nós, filhos do Novo Testamento, lemos o Antigo Testamento, notamos como Deus tentou sugerir aos nossos precursores que este EU SOU é um Ser e, ao mesmo tempo, Três Pessoas. Em algumas ocasiões, Ele até falava de Si mesmo como “nós.” "E Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem, à nossa semelhança" (Gn 1:26). "E o Senhor Deus disse: Eis que o homem se tornou como um de nós" (Gn 3:22). Um exemplo ainda mais notável ocorre com Abraão: três homens apareceram para ele, mas ele se dirigiu a eles como se fossem apenas um (Gn 18:2).

A aquisição do conhecimento de Deus é um processo lento, que não deve ser alcançado em toda a sua plenitude desde o início, embora Deus seja sempre, e em todas as suas manifestações, invariavelmente, Uno e Indivisível. Cristo usou linguagem simples, inteligível para os mais ignorantes, mas o que Ele disse estava acima das mentes, mesmo dos mais sábios entre Seus ouvintes. 'Antes que Abraão existisse, eu sou' (João 8:58). 'Eu e meu Pai somos um' (João 10:30). 'Meu Pai o amará, e nós iremos a ele e faremos nossa morada com ele' (João 14:23). 'Orarei ao Pai, e ele lhe dará outro Consolador, para que fique com você para sempre' (João 14:16). (Então agora é introduzida uma Terceira Pessoa.) 'O Espírito da verdade, que procede do Pai, ele testemunhará a meu respeito' (João 15:26).

Observamos que Cristo gradualmente começou a falar do Pai, e foi somente no final de Sua vida terrena que Ele falou do Espírito Santo. Até o fim os discípulos falharam em entendê-Lo, e Ele não tentou explicar-lhes a imagem do Ser Divino. " Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora." (João 16:12). Em vez disso, indicou como poderíamos alcançar o conhecimento perfeito: 'Se permaneceres na minha palavra ... conhecereis a verdade' (João 8:31-32). 'O Espírito Santo ... lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse.’ (João 14:26). 'Quando ele vier, o Espírito da verdade, ele o guiará em toda a verdade' (João 16:13). E Ele veio, e nos revelou a plenitude do amor Divino, mas o presente foi demais para nossa compreensão. No entanto, Ele não se retira, mas espera pacientemente que nós O amemos, Cristo, "o poder de Deus e a sabedoria de Deus" (1 Cor. 1:24), assim como Ele nos ama.

'As palavras que vos digo são espírito e vida' (João 6:63). É exatamente essa vida que consideraríamos agora - vida gerada pela oração inspirada do Alto, através do amor que chega até nós e do conhecimento razoável do Ser Primordial.

Como alguém pode descrever o estado do espírito a quem Deus se revela como EU SOU? Sua proximidade com o coração é tão tangível que a alegria nEle é como a luz. Ele é dócil e gentil, e eu posso falar com Ele intimamente, face a face, dirigir-me a Ele - 'Tu que és'. E, ao mesmo tempo, percebo que este EU SOU e esse TU QUE ÉS é todo Ser. Ele é não-originado; é auto-existente; auto-suficiente. Ele é Pessoa no sentido absoluto. Sua consciência penetra tudo o que existe. Não há nada encoberto que não seja revelado; e escondido que não será conhecido ... Não são vendidos dois pardais por um ceitil? E nenhum deles cairá por terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo todos os cabelos da vossa cabeça estão todos contados '(Mt 10,26, 29-30). Também não há criatura que não se manifeste aos seus olhos; mas todas as coisas estão nuas e abertas aos olhos daquele com quem temos de tratar '(Hb 4.13). Cada momento de nossa vida, cada batimento cardíaco, está em Suas mãos. Ele é na verdade a 'Luz na qual não há trevas' (1 João 1.5). E não há ninguém e nada que possa escapar do Seu olho que tudo vê.

SOU O QUE SOU. Sim, de fato, é Ele que É. Só Ele realmente vive. Tudo convocado a partir do abismo do não-ser existe unicamente por Sua vontade. Minha vida individual, até os mínimos detalhes, vem exclusivamente dEle. Ele preenche a [nossa] alma, ligando-a cada vez mais intimamente a Si mesmo. O contato consciente com Ele marca um homem para sempre. Um homem assim não se afastará agora do Deus do amor, a quem ele conheceu. Sua mente renasce. Até então, ele estava inclinado a ver em toda parte determinados processos naturais; agora ele começa a apreender todas as coisas à luz da Pessoa. O conhecimento do Deus pessoal tem um caráter intrinsecamente pessoal. Semelhança reconhece semelhança. Há um fim no tédio mortal do impessoal. A terra, todo o universo, proclamam-NO, 'o céu e a terra louvam-O, o mar e tudo o que nela se move' (Sl. 69.34) E eis que Ele mesmo procura estar conosco, para nos comunicar a abundância de Sua vida (cf. João 10.10). E nós, por nossa parte, ansiamos por esse presente.

A alma sabe, mas não pode contê-Lo, e nisso reside sua dor. Nossos dias estão cheios do desejo de penetrar na esfera Divina com todas as fibras do nosso ser. Nossa oração deve ser ardente, e múltipla é a experiência que nos pode ser dada. Em nossos corações, subjetivamente, parece - a julgar pelo amor cujo toque sentimos - que a experiência não pode estar aberta à dúvida. Mas, apesar da onda abrangente desse amor, apesar da luz em que ele aparece, não seria apenas errado, mas perigoso, confiar exclusivamente nele. Pelas Escrituras Sagradas, sabemos que a Puríssima Virgem Maria se apressou até sua prima Elisabeth para ouvir de seus lábios se a revelação que ela havia recebido era verdadeira - de um filho que nasceria para ela, que seria grande e seria chamado de Filho de Deus, o Altíssimo; e cujo reino não teria fim (cf. Lucas 1.32-33). São Paulo, que "foi apanhado no paraíso e ouviu palavras indizíveis" (cf. 2 Cor. 12.4), dá outro exemplo. 'Agradava a Deus ... revelar Seu Filho em mim' (Gal. 1,16); no entanto, ele foi duas vezes até Jerusalém para submeter a Pedro e aos outros, 'que eram de reputação' (Gál. 2.1-2), o Evangelho que estava pregando, “para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão.” (Gál. 2.1-2). A história da Igreja fornece inúmeros exemplos, e, portanto, aprendemos a pedir às pessoas com mais experiência que julguem se nosso caso não é apenas imaginação, mas graça proveniente do Alto. Procuramos testemunhas confiáveis, encontradas apenas na Igreja cuja experiência milenar é incomensuravelmente mais rica e profunda do que a nossa. Tais, no passado distante, foram os Apóstolos que nos legaram no Evangelho e nas Epístolas o conhecimento que haviam recebido diretamente de Deus. Eles foram seguidos por uma sucessão de Pais (doutores e ascetas) que transmitiram pelos séculos, acima de tudo, o espírito da própria vida, muitas vezes endossando seu testemunho por escrito. Acreditamos que, em qualquer momento histórico, é possível encontrar testemunhas vivas; até o fim dos tempos, a humanidade nunca será desprovida de genuína gnose a respeito de Deus. Somente após a confirmação oficial, podemos confiar em nossa experiência pessoal e, mesmo assim, não em excesso. Nosso espírito não deve diminuir o impulso para com Deus. E a cada passo é essencial lembrar que o isolamento autoconfiante está repleto da possibilidade de transgressão contra a Verdade. Portanto, não deixaremos de orar diligentemente ao Espírito Santo, para que Ele preserve nossos passos dos caminhos da mentira.

Desde o tempo dos apóstolos, os fiéis têm vivido em sua oração a realidade única de um Deus no Pai, Filho e Espírito Santo. A linguagem humana nunca encontrou terminologia lógica satisfatória para expressar a experiência espiritual e a cognição de Deus, como proclamado pelo próprio Deus. Todas as palavras que os novos conhecimentos e a nova vida passaram de geração em geração, em certa medida ou em outra, obscureceram a genuína contemplação de Deus. Considere, por exemplo, duas das fórmulas para definir a Unidade. Aqueles, com quem geralmente mais nos encontramos, enfatizam a unidade da substância. Deus é entendido como uma objetividade absoluta em três sujeitos absolutos. Para transferir a ênfase de Substância para Pessoa - que é mais consistente com a revelação “EU SOU” - a segunda teoria interpreta EU SOU como um Único sujeito absoluto, combinando-se “Eu, Tu, Nós.”(Essa é a suposição de que o professor Bulgakov se desenvolve em seus escritos.) A primeira fórmula que visa demonstrar a plenitude da Divindade em cada Hipóstase tende, por assim dizer, a dividir os Três. A segunda, na qual o princípio Pessoal é fundamental, leva à fusão das Pessoas.

A Igreja superou a inadequação de nossa linguagem empregando modos negativos - ensinando-nos a viver as pessoas da Trindade 'não confundindo as Pessoas: nem dividindo a Substância'. E onde se trata da Encarnação do Logos, a definição se torna mais complicada pelas adições: 'não por conversão' ('da divindade em carne'); 'sem separação' ('Um, inteiramente ... na unidade da Pessoa') (cf. Credo Atanásio)*. Assim, nossa mente racionalmente funcional é tomada por um vício, incapaz de se inclinar para um lado ou para o outro, como uma figura crucificada em uma cruz.

A contemplação não é uma questão de declarações verbais, mas de experiência de vida. Na pura oração, o Pai, o Filho e o Espírito são vistos em Sua unidade consubstancial.

O Evangelho diz: 'Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna' (João 3.16). O Espírito Santo nos introduz no reino do Amor Divino, e não apenas vivemos esse amor, mas também começamos a entender que se Deus, o Primeiro e o Último, fossem mono-hipostáticos (ou seja, uma só Pessoa), então Ele não seria amor. Moisés, que interpretou a revelação EU SOU como significando uma única hipóstase, deu à lei o seu povo. Mas 'graça e verdade vieram de Jesus Cristo' (João 1,17). A Trindade é o Deus do amor: “O amor do Pai que crucifica; o amor do Filho que é crucificado; o amor do Espírito Santo que é vitorioso”(Metropolita Philareto de Moscou). Jesus, sabendo 'que chegou a sua hora de partir deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, ele os amou até o fim '(João 13.1). Esse é o nosso Deus. E não há outro senão ele. O homem que, pelo dom do Espírito Santo, experimentou o fôlego de Seu amor, sabe com todo o seu ser que esse amor é peculiar ao Deus TriUno, revelada a nós como o modo perfeito do Ser Absoluto. O Deus mono-hipostático do Antigo Testamento e (muito depois do Novo Testamento) do Corão não conhece o amor.

Amar é viver para e no amado, cuja vida se torna a nossa vida. O amor leva à singularidade do ser. Assim é dentro da Trindade. 'O Pai ama o Filho' (João 3,35). Ele vive no Filho e no Espírito Santo. O Filho 'permanece no amor do Pai' (João 15.10) e no Espírito Santo. E o Espírito Santo que conhecemos como amor todo perfeito. O Espírito Santo procede eternamente do Pai e vive nEle e permanece no Filho. Esse amor torna a soma total do Ser Divino em um único ato eterno. Após o padrão dessa unidade, a humanidade também deve se tornar um só homem. ('Eu e meu Pai somos um' (João 10.30). 'Para que todos sejam um; como Tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles sejam um em nós' (João 17.21).

O mandamento de Cristo é a projeção do amor celestial no plano terrestre. Realizada em seu verdadeiro conteúdo, torna a vida da humanidade semelhante à vida do Deus Triúno. O início de uma compreensão desse mistério vem com a oração para o mundo inteiro e para si mesmo. Nesta oração, vive-se a consubstancialidade da raça humana. É vital passar de noções abstratas para existenciais - isto é, categorias ontológicas.

Na vida da Trindade, cada Hipóstase é portadora de toda a plenitude do Ser Divino e, portanto, dinamicamente igual à Trindade como um todo. Alcançar a plenitude do Deus-homem é tornar-se dinamicamente igual à humanidade em conjunto. Nisto reside o verdadeiro significado do segundo mandamento, que é, de fato, "semelhante ao primeiro" (Mt 22.39).

A integralidade da revelação dada a nós é inesgotável. Como seres criados, não somos capazes de conhecer finalmente, completamente, o Primeiro Ser Incriado, da maneira que Deus Se conhece. São Paulo, no entanto, espera ansiosamente. 'Por enquanto, vemos através de um espelho, confusamente ... agora eu sei em parte; mas então saberei como também sou conhecido '(1 Cor. 13.12).

Na história do mundo cristão, observamos duas tendências teológicas: uma, com duração de séculos, acomodaria as revelações considerando o Deus Triúno em nossa maneira de pensar; a outra nos convoca ao arrependimento, a uma transformação radical de todo o nosso ser através da vida vivida de acordo com o Evangelho. A primeira é louvável, mesmo historicamente essencial, mas se separado da vida, está fadada ao fracasso. 'Jesus disse ... se um homem me ama, ele guardará minhas palavras: e meu Pai o amará, e nós iremos a ele e faremos nossa morada com ele' (João 14,23). Esta é à nossa maneira cristã de aperfeiçoar a gnose. A permanência em nós do Pai e do Filho, e inseparável dEles, o Espírito Santo nos dará o verdadeiro conhecimento de Deus.

São Simeão, o Novo Teólogo (949-1022 AD), em seu Hino 17, cita os cegos e incrédulos que não aceitam os ensinamentos da Igreja, de que o Criador Invisível e Incorruptível desceu à terra e uniu em Si as duas naturezas (o Divino e o criado, humano), declarando que ninguém da sua própria experiência conheceu ou viveu isso, ou o viu claramente. Mas em outros hinos, São Simão repete com a convicção máxima de que essa experiência lhe foi dada repetidas vezes. Quando a imperecível Luz Divina é comunicada ao homem, o próprio homem efetivamente se torna, por assim dizer, luz. A união dos dois - de Deus e do homem - é realizada pela vontade do Criador e na consciência de ambos. Se isso não fosse reconhecido, então, como diz São Simeão, a união seria dos mortos, não dos vivos. E como a Vida eterna poderia entrar no homem sem ser percebida por ele? Como seria possível, ele continua, para a Luz Divina, como um raio à noite ou um grande sol, brilhar no coração e na mente de um homem, e para o homem não estar ciente de um evento tão sublime? Unindo-se à Sua semelhança, Deus concede o verdadeiro conhecimento de Si mesmo como Ele É. Por meio do Espírito Santo, o Filho também é conhecido pelo Pai. E o homem contempla-Os na medida do possível.

Para nós, cristãos, Jesus Cristo é a medida de todas as coisas, divinas e humanas. 'Nele habita a plenitude da divindade' (Col. 2,9) e da humanidade. Ele é o nosso ideal mais perfeito. Nele encontramos a resposta para todos os nossos problemas, que sem Ele seriam insolúveis. Ele é na verdade o eixo místico do universo. Se Cristo não fosse o Filho de Deus, a salvação através da adoção do homem por Deus Pai seria totalmente incompreensível. Com Cristo, o homem avança para a eternidade divina.





tradução: Hipodiácono Paísios

*NdoT: Ένας, ολόκληρος, όχι δια της σύγχυσης των ουσιών (της θείας & ανθρώπινης ουσίας), αλλά στην ενότητα του Προσώπου.




sexta-feira

Crianças: Membros do Corpo de Cristo









Crianças: Membros do Corpo de Cristo

 

Pe Michael Pomazansky

 

Toda mãe cristã considera uma de suas principais obrigações ensinar a oração ao seu filho, assim que a consciência dele começar a despertar. Sua alma deve estar acostumada à calorosa e fervorosa experiência da oração em casa, no berço, pelos vizinhos, pela família. A oração noturna da criança acalma e suaviza sua alma, ela experimenta a doçura da oração com seu pequeno coração e capta o primeiro perfume dos sentimentos sagrados.

É mais difícil para uma criança assimilar a atmosfera que prevalece na Igreja. No inicio, ela apenas observa. Ela vê pessoas se concentrando, rituais que ainda não entende e ouve palavras incompreensíveis. No entanto, a própria solenidade e festividade da Igreja têm um efeito edificante sobre ela. Quando uma criança de dois anos quer participar na Igreja, cantar, falar ou fazer prostrações, podemos ver seu estado de ânimo elevado, com o qual está involuntariamente contagiado. Dizemos isso por simples observação.

Mas também há algo mais elevado do que nossas percepções sensoriais. Cristo está invisivelmente presente na Igreja e Ele vê a criança, o abençoa e o recebe na atmosfera da Graça do Espírito Santo. A Graça a envolve como um vento quente que sopra sobre uma folha de grama em um campo, ajudando-a a crescer lenta e gradualmente, a criar raízes e se desenvolver. E então a mãe se apressa em trazer seu filho a Cristo, à Sua Graça, independentemente até mesmo de ele ter alguma compreensão desse contato com o dom da Graça. Isso diz respeito especialmente à Eucaristia, a união mais íntima com Cristo. A mãe traz seu filho a este mistério enquanto ele ainda é um bebê deitado em seus braços. A mãe está correta?

"Deixai que as criancinhas venham a Mim, porque deles é o reino de Deus." Você pode realmente dizer com certeza que ali, e então nos campos da Palestina, essas crianças já haviam entendido os ensinamentos de Cristo, estavam sentados aos pés do Mestre e ouvindo Sua pregação? Não diga isso, pois o próprio Evangelista observa que "trouxeram-lhe também crianças, para que lhes tocasse; mas, quando os seus discípulos viram isso, os repreenderam". Ao trazer os filhos, o propósito das mães era simplesmente que Suas mãos tocassem os filhos, e não que Ele lhes ensinasse o conhecimento divino.

Permitir que os filhos tenham contato com a graça espiritual é uma das primeiras e básicas preocupações do cristão que pensa nos filhos e é tarefa da sociedade cristã, que se preocupa com a juventude. Aqui está a porta para uma educação Cristã Ortodoxa correta. Iluminação, compunção e alegria, ao despertar na consciência crescente do bebê, são um indicador externo do fato de que o pequeno cristão está sentindo o calor da fonte divina em si mesmo. E mesmo que ele não sinta, a ação invisível da Graça de Deus não para; apenas não o vemos, assim como não vemos o efeito do sol em nossa saúde instantaneamente e imediatamente

No entanto, quantas vezes isso é esquecido, sendo que aí está a chave para organizar a educação religiosa. Quantas vezes, ao ver a inadequação da educação religiosa, pegamos os programas e os reformulamos, colocamos a culpa nos livros didáticos e nos professores - e nos esquecemos da importância da Igreja e da influência dos serviços religiosos; certamente nem sempre nos perguntamos: "Mas as crianças iam à Igreja?"

À medida que a criança vai crescendo, deve entrar mais profundamente na vida da Igreja. A mente da criança, a mente do jovem deve ser iluminada pelos serviços da Igreja, aprender deles, tornar-se imerso neles; a Igreja deve dar-lhe conhecimento de Deus.

Este assunto é mais complexo. A tarefa da educação religiosa será cumprida somente quando ensinarmos nossos filhos a amar a Igreja.

Quando nós, os adultos, organizamos os cultos da Igreja, fazemos arranjos para eles, encurtamos ou alongamos a ordem do serviço e assim por diante, estamos nos acomodando aos nossos próprios conceitos e necessidades, ou simplesmente à conveniência, entendida em termos adultos. Mas, na medida em que os conceitos, necessidades e esforços espirituais das crianças não são levados em consideração, o ambiente geralmente não é propício para fazer com que as crianças amem a Igreja. No entanto, este é um dos meios mais importantes da educação religiosa: que os filhos aprendam a amar a Igreja, para que possam ir sempre à Igreja com um sentimento agradável e dela receberem alimento espiritual. E uma vez que os pais muitas vezes não podem ajudar aqui, mesmo porque, não raramente, eles próprios são irreligiosos, somos frequentemente compelidos, quando pensamos sobre nossos filhos Ortodoxos, a colocar este trabalho nas mãos da comunidade, nas mãos da escola, nas mãos da Igreja.

Assim como não temos medo de destruir a devoção ao aprendizado e aos livros, ou o amor pela nossa literatura e história nacional, fazendo nossos filhos virem correndo para a aula ao som de um sino e sentarem em carteiras, imergindo-os em uma atmosfera de disciplina estrita e compulsão; assim também, pode-se pensar, não teríamos nenhuma razão para ter medo de usar uma certa quantidade de compulsão na questão de frequentar a Igreja, seja ela parte do regime escolar ou uma expressão de autodisciplina por parte de organizações de jovens - tanto aqueles que estão ligados à escola quanto aqueles que não estão. Mas certamente, se isso permanecer apenas compulsão, e a tal ponto que crie uma repulsão psicológica nos jovens - isso mostrará que o objetivo não foi alcançado, que o método se mostrou inadequado e a compulsão foi em vão. Que a criança trazida por nossa vontade expresse o desejo de permanecer lá por sua própria vontade. Então você terá justificado sua ação.

E novamente dizemos: não são apenas efeitos naturais e psicológicos que ocorrem na alma das crianças na Igreja, mas a ação da Graça. Toda a nossa preocupação deve ser que a alma do bebê, criança ou jovem não se feche às impressões sagradas, mas se abra livremente: e então não necessitará mais de esforço, força ou qualquer outra forma de auto-compulsão; será nutrido com liberdade, facilidade e alegria.

Há uma coisa que não deve ser esquecida: a natureza humana requer pelo menos um grau mínimo de participação ativa. Na Igreja, isso pode assumir a forma de leitura, ou de canto, ou de decoração e limpeza da Igreja, ou de alguma outra atividade, mesmo que esteja apenas indiretamente ligada aos serviços religiosos.

A indiscutível importância da Igreja e dos serviços comunitários para a educação religiosa dos filhos constitui um dos argumentos a favor da compreensão Ortodoxa do mistério do Batismo: isto é, um argumento a favor do Batismo de crianças desde muito cedo, como fazemos na Igreja Ortodoxa. O Batismo é a porta pela qual se entra na Igreja de Cristo. Quem não é batizado - o que significa que não é membro da família de Cristo - não tem o direito de participar da vida desta família, de suas reuniões espirituais e de sua mesa - a mesa do Senhor. Assim, nossos filhos seriam privados do direito de estar conosco na Igreja, de receber a bênção em nome da Santíssima Trindade, de comunicar o Corpo e o Sangue de Cristo. E embora possamos influenciá-los em nossa família em casa, por mais que possamos ensinar-lhes o Evangelho, estaremos privando-os da ação direta da graça celestial e, na melhor das hipóteses, despertaremos a sede de fé neles, mas ainda assim estaremos mantendo-os longe da luz e do calor celestial, que desce, independentemente de nossos esforços humanos, nos Mistérios, em todos os Ofícios, nas orações sagradas. Quão grosseiramente erradas estão aquelas religiões que reconhecem apenas o batismo de adultos!

As santas donzelas Fé, Esperança e Caridade, e a santa jovem noiva Perpétua, que se tornou mártir, são testemunhas de que a adolescência é uma idade preparada até para a mais alta participação ativa na Igreja de Cristo. O bebê nos braços de sua mãe na Igreja que gritou: "Ambrósio para bispo!", E com sua exclamação determinou a escolha do renomado Ambrósio de Milão para a cátedra episcopal - este bebê é um defensor dos direitos das crianças a uma participação ativa na Igreja de Cristo.

Portanto, vamos nos preocupar com nossos filhos: primeiro, vamos dar-lhes a chance de participar mais da Igreja - e de uma forma mais ampla e elevada do que apenas dar o incensário ao sacerdote; e em segundo lugar, adaptemo-nos um pouco aos nossos filhos quando oramos com eles.

Sejam os filhos conscientes de que são membros da família de Cristo.

Deixe as crianças virem a amar a Igreja!

From Orthodox Life , vol. 27, No. 3 (maio de 1977), pp. 29-33.

  

terça-feira

São Nicéforo, o Leproso - "Discípulo e Imitador de Cristo" - Pequena Biografia






Nicéforo, o Leproso, que repousou em 4 de janeiro de 1964, foi oficialmente contado entre os santos glorificados da Igreja Ortodoxa pelo Santo Sínodo do Patriarcado Ecumênico no sábado, 1º de dezembro de 2012.

Abaixo está uma breve relato da vida do recém-glorificado Santo Nicéforo, escrito pelo Monge Simão, no livro "Nicéforo, o Leproso: O Radiante Atleta da Paciência "(Atenas, 2007 [grego]):

Pe Nicéforo (no mundo, Nicolau) nasceu em um vilarejo de Sikari, na ilha de Creta. Seus pais eram aldeões simples e piedosos. Quando ele ainda era uma criança, seus pais morreram e o deixaram órfão. Ele foi criado sob os cuidados de seu avô paterno João. Assim, aos treze anos ele saiu de casa, viajou para Chania e começou a trabalhar numa barbearia. Lá ele começou a apresentar os primeiros sinais de hanseníase (ou seja, lepra). Naquela época, os leprosos eram exilados para a ilha de Spinaloga, porque a lepra era uma doença transmissível e era tratada com medo e horror.

Nicolau tinha dezesseis anos quando os sinais da doença começaram a se tornar mais evidentes, aparecendo as marcas da lepra em locais visíveis de seu corpo, então ele partiu em um barco para o Egito a fim de fugir do confinamento certo em Spinalonga. Ele permaneceu em Alexandria, trabalhando em uma barbearia novamente, mas os sinais da doença tornaram-se mais e mais evidentes, principalmente nas mãos e no rosto. Por isso, por intervenção de um padre que o aconselhou, ele foi a Chios, onde naquela época havia uma Igreja para leprosos, e o Padre era Antimos Vagianos, o posteriormente conhecido e glorificado Santo Antimos.

Nicolau chegou a Chios em 1914 com a idade de 24 anos. No lar de leprosos em Chios, onde havia um agrupamento de muitas lindas casinhas, havia uma capela de São Lázaro, onde foi preservado o ícone milagroso de Panagia de Ypakoe ( Obediência). Em Chios, sua doença progrediria, assim como seu progresso espiritual. O hospital para leprosos seria o campo de treinamento para sua luta espiritual. Sob a orientação espiritual do Padre Antimos, em dois anos, foi tonsurado um monge com o nome de Nicéforo. A doença progrediu e evoluiu na ausência de medicamentos adequados, causando muitas lesões grandes em seu rospo e corpo(o medicamento foi encontrado mais tarde, em 1947).

Pe Nicéforo vivia com obediência genuína, com jejum austero, trabalhando nos jardins. Ele também compilou em um catálogo os milagres de Santo Antimos, que ele viu com seus próprios olhos.

Havia uma relação espiritual única entre Santo Antimos e o monge Nicéforo, que “não se separou dele nem por um passo”, como disse pe. Theoklitos de Dionysiou em seu livro “Santo Antimos de Quios ”. Pe Nicéforo rezava por horas intermináveis ​​à noite, realizando inúmeras prostrações. Não brigava e nem ofendia o próximo, não feria o coração de ninguém, era manso e humilde, assim como Nosso Senhor nos pediu para ser. Ele era o protopsaltis ( cantor) da Igreja. Por causa de sua doença, no entanto, aos poucos ele perdeu a visão e a maioria dos hinos eram cantados por outras pessoas.

O leprosário de Chios foi encerrado em 1957 e o restante dos doentes, juntamente com o padre Nicéforo, foram encaminhados para a casa de leprosos de Santa Bárbara em Atenas, Aigaleo. Naquela época, o padre Nicéforo tinha cerca de 67 anos. Seus membros e olhos foram completamente afetados e deformados pela doença.



Lá, na casa dos leprosos, também morava o padre Eumenios. Ele teve hanseníase como todos os outros, mas com a medicação que recebeu ficou completamente curado. No entanto, ele decidiu permanecer no lar para leprosos pelo resto de sua vida, perto de seus companheiros de sofrimento, cuidando deles com muito amor. Assim, ele se submeteu em obediência ao padre Nicéforo, a quem o Senhor havia dado muitos dons como recompensa por sua paciência. Uma multidão reuniu-se na humilde cela do leproso Nicéforo, em Santa Bárbara de Aigaleo, para receber suas orações. Aqui estão alguns testemunhos de quem o conheceu:

“Embora estivesse confinado à cama, com feridas e dores, ele não murmurou, mas mostrou grande paciência.”

“Ele tinha o carisma de consolar quem estava triste.”

“Seus olhos estavam permanentemente irritados e ele tinha visão limitada. Ele também tinha rigidez nas mãos e paralisia nos membros inferiores. No entanto, ele suportou tudo isso da maneira mais doce, dócil, sorridente e encantadora que já vimos e ele também foi muito agradável e amável. ”

Ele disse: “Meus filhos, vocês rezam? E como vocês rezam? ... com a oração de Jesus vocês devem rezar, com o “SENHOR JESUS ​​CRISTO, TEM PIEDADE DE MIM”. Portanto, você deve rezar. Deste modo é bom. ”

“Seu rosto era corroído pelas marcas de sua doença, mas suas feridas brilhavam. Foi uma alegria para aqueles que viram este homem destituído e aparentemente fraco dizendo: Que Seu Santo Nome seja glorificado. ”

O padre Nicéforo repousou em 4 de janeiro de 1964 com a idade de 74 anos. Depois de três anos, suas sagradas relíquias foram exumadas e estavam perfumadas. O Padre Eumênios, e outros fiéis, relataram muitos casos em que milagres ocorreram ao apelar para que São Nicéforo intercedesse junto a Deus. Temos muitos testemunhos de que nosso santo recebeu do Espírito Santo o dom do discernimento e uma multidão de outros carismas. Devemos notar que a maioria dos milagres são registrados, e hoje o santo dá uma ajuda generosa a quem precisa. Certamente haverá muitos outros milagres que ainda não foram manifestados.  


**********************************************

 


Nicéforo adquiriu as alturas da humildade e alcançou o padrão dos Anjos. Por esta razão, antes do fim de sua vida, ele foi visto erguido do chão, em uma noite enquanto orava, como foi visto por Evmenios, seu discípulo, o sacerdote residente da Estação Anti-Leproso de Santa Bárbara em Atenas, à qual o mais venerável Nicéforo foi morar no ano de 1957, quando o hospital para leprosos em Chios deixou de funcionar. A este homem virtuoso, o divino Evmenios, foi endereçada a carta de Santo Antimos, o Ancião do leproso Nicéforo, dizendo entre outras coisas: "Cuidai deste tesouro, desta pérola preciosa." Nicéforo, a pérola de Cristo de grande valor, um tesouro de oração de grande honra, um leproso de corpo, com uma alma mais branca que a neve; um professor de vigilância, um professor empírico da oração noética, que cultivou o coração puro, que assemelhou-se aos Anjos de Deus na fala, estimado por seu domínio da mente, cuja liberdade de espírito era como uma águia voando; um amante de Deus, um soldado de Deus, um curador de Deus, que exalou Deus.

Ele imitou Jó até o fim, quando deitados em sua cama seus membros ficaram paralisados ​​por causa de sua lepra. Como Lázaro ferido, ele foi gentil na firmeza, glorificando a Deus, em cujas mãos entregou sua alma no ano de 1964, no dia quatro do mês de janeiro, e foi sepultado no Cemitério da Estação Anti-Leproso em Atenas. Na obscuridade, ele foi trasladado aos céus, conhecido por Deus e sendo de Sua casa e Seu filho obediente, Nicéforo, o Leproso, o orgulho da Igreja de Cristo e um fervoroso intercessor de todos junto Deus.





Alguns dos milagres de São Nicefóro:

 

O padre Eumenios diria que, certa noite, depois de preparar o padre Nicéforo para dormir, ele também foi descansar em sua cela. No entanto, ele não conseguia dormir. Ele estava muito preocupado, talvez por não ter feito algo, ou talvez por ter esquecido de fechar o forno. Essas e outras coisas passaram por seus pensamentos. Ele se levantou, portanto, e foi para a cela do ancião.

Para não o incomodar ele achou melhor não bater à porta, nem dizer "Pelas orações dos nossos Santos Padres, Senhor Jesus Cristo nosso Deus, tem piedade de nós", e aguardar o resposta de dentro "Amém", como é feito nos mosteiros. Muito devagar ele abriu a porta, e o que ele viu? Ele viu o padre Nicéforo pairando a um metro do chão com os braços erguidos e rezando.

Seu rosto brilhava como o sol. Assim que o Padre Eumenios viu este espetáculo temível, sem dizer uma palavra, ele fechou a porta com muito cuidado e correu para a sua cela. Lá ele caiu com o rosto no chão e derramou em lágrimas, com medo de entristecer o ancião por não ter batido na porta e vê-lo em sua postura maravilhosa.

Ele também chorou de alegria, porque viu por si mesmo quão grande e virtuoso era seu pai espiritual, o Padre Nicéforo. De manhã, ao ir conversar a ele como de costume, ele prostrou-se profundamente e pediu perdão por sua má conduta. Ele, com um leve sorriso, imediatamente o perdoou e disse-lhe que não revelasse a ninguém o que viu enquanto ele ainda estivesse vivo.

O padre Hieromonge Amphilochios, do Santo Mosteiro de Santa Paraskevi em Megaron, afirma que um dia, sentado em sua cela, sentiu algo exalando uma doce fragrância. Ele olhou para a esquerda e para a direita, mas não conseguiu descobrir de onde vinha essa fragrância, que estava crescendo. Então, seus olhos pousaram em um grande e gordo envelope postal. Ele a abriu e viu um pedaço de relíquia sagrada, que exalava uma fragrância inefável, e uma nota que dizia: "Padre Nicéforo Tzanakakis, 04/01/1964". Esta relíquia sagrada estava na posse de outro Hieromonge, que a enviou para o Mosteiro temporariamente, uma vez que ele estaria ausente. Quando o padre Amphilochios a removeu do envelope e a colocou com reverência em um lugar onde ele tinha outras relíquias sagradas, a fragrância diminuiu ligeiramente. 

O padre Eumenios disse ainda que uma noite, muitos anos depois do repouso do padre Nicéforo, como havia muitos mosquitos e outros insetos em sua cela, ele considerou melhor fechar a porta e a janela e esvaziar dentro dela um grande frasco de inseticida forte. Após jogar o inseticida, ele adormeceu. Ele nunca teria acordado de novo se o padre Nicéforo não aparecesse para ele e o acordasse, agarrando sua mão e o levando para fora de sua cela. E, antes que o padre Eumenios percebesse com clareza o ocorrido, disse-lhe: "Meu filho, não volte a entrar na sua cela, a menos que abra primeiro a porta e a janela, para arejar". E então ele desapareceu imediatamente. Então, depois de um bom tempo, o padre Eumenios se recuperou e compreendeu o milagre ocorrido, dando graças de todo o coração ao padre Nicéforo, seu querido pai espiritual.

Estes são apenas alguns exemplos. Não temos espaço o suficiente para descrever todos os casos e acontecimentos miraculosos relacionados a São Nicéforo. Os milagres são muitos e continuam a acontecer.

Nesta recente pandemia de covid19, São Nicefóro continuou a interceder pelo mundo e a realizar maravilhas. Ele apareceu para um fiel na Bulgaria, em meio a explosão de casos de covid19 e lhe deu instruções valiosas. O seguinte relato foi escrito:

“Às 4 horas daquela noite adormeci. No meu sonho, ele me visitou - São Nicéforo, o Leproso. Eu o reconheci imediatamente. Eu o vi em seu rasson negro, de pé, segurando uma cruz de ouro na mão direita. Ele se dirigiu a mim com as palavras: “Avise todos os cristãos para orarem para mim, mas repetidamente. Deixe-os também ler os serviços(Paraklisis). Existe uma cura e esta é a Santa Comunhão. Tem também uma erva para beber, é o tomilho, mata os vírus. E em qualquer caso, não deixe de visitar a casa de Deus neste momento difícil, porque lá não há contágio e ninguém pode ser infectado.”

Outras aparições foram registradas na Grécia. Naturalemente, São Niceforo se tornou o santo patrono dos Ortodoxos ao redor do mundo. Muitos Mosteiros, durante este período de pandemia, começaram a rezar a Paraklisis de São Nicefóro, pedindo a intercessão deste Santo para os dias difíceis que estamos vivendo.

Um santo que venceu o medo e o desespero de uma doença terrível é o modelo que precisamos mirar agora. As orações de São Niceforo junto a Deus nós ajudarão a superar este momento.

A vida de São Nicéforo foi um exemplo e um modelo resplandecente para todos nós. Ele agradava a Deus porque havia suportado a dor dilacerante com mansidão e esperança na Ressureição. Na medida em que seu corpo era devorado pela lepra, sua doçura, oração e paz de espírito cresciam. São Nicéforo foi um grande imitador de Nosso Senhor Jesus Cristo, que mesmo em seu doloroso caminho para o Gólgota, não deixou de exalar amor e compreensão por todo o gênero humano. Um grande exemplo para nós, que costumamos reclamar dos mínimos percalços que enfrentamos. Este Santo homem viu, dia a dia, a própria face ser devastada em feridas, mas sua boca nunca deixou de dizer “Seja feita a Tua vontade”.

Deixemos que o exemplo de São Nicefóro encha o nosso espirito de contentamento e mansidão, principalmente neste período de epidemia que estamos vivendo. Que nosso medo dê lugar a esperança pela Ressureição e que nossas dúvidas sobre o amanhã sejam dissipadas, para que possamos dizer, em plena fé, “Seja feita a Tua vontade”.

 

 

 

quarta-feira

Oração e Amor aos Pobres - Vida do Hieromártir Habeeb (Kheshy)


Jabal as-Saykh, "Monte Hermon". Local do Mártirio do Hiermártir Habbeb


A vida do HIEROMARTYR HABEEB KHESHY

 

O glorioso Hieromártir Habeeb nasceu na cidade de Damasco, Síria, no ano de 1894. Foi o primeiro de oito filhos do Padre Nicholas Kheshy, o hieromártir de Mersine. Ele foi criado em um lar que amava a Cristo, onde foi nutrido na fé com orações, jejuns e leitura espiritual, e foi educado no Horologion, no Saltério e na vida dos Santos.

Habeeb completou sua educação formal, primária e secundária, nas escolas de 'AinToura, no Líbano, e em 1914 ele se formou como bacharel em artes pela American University of Beirut. Além de seu amor pela teologia, pela vida dos mártires e pela música bizantina, Habeeb também estava muito interessado na história e nos sítios arqueológicos da Igreja no Oriente Médio. Ele dedicou muito tempo ao estudo deste assunto e realizou a documentação de muitos destes sítios.

Algum tempo entre sua formatura na universidade e a eclosão da Primeira Guerra Mundial, a família de Habeeb mudou-se para a cidade costeira mediterrânea de Mersine, na Cilícia (no que hoje é o centro-sul da Turquia), na Arquidiocese de Tarso e Adana, onde seu pai foi designado como pároco, posição que ocupou com distinção até terminar gloriosamente a sua vida como um hieromártir, durante uma violenta perseguição aos cristãos.

Após o martírio de seu pai, a família Kheshy fugiu da Turquia e se estabeleceu em Port Said, Egito, onde, em 1922, Habeeb se casou com uma jovem piedosa, Wadi’a Touma, filha de imigrantes cristãos ortodoxos vindos da Síria para o Egito. Entre os anos de 1922 e 1924, Habeeb trabalhou em Port Said como contador e tradutor para uma empresa de comércio de petróleo estrangeira. Em 1924, a empresa o transferiu para sua filial em Beirute.

Habeeb permaneceu nessa empresa até 1931, quando, finalmente atendendo ao chamado de Cristo que ardia em seu coração desde a infância, ele apresentou sua renúncia, retornou a Damasco, sua cidade natal, e caiu aos pés do Patriarca recém entronizado Alexandre III (Tahan) e professou seu desejo de seguir os passos de seu pai, servindo a Igreja no santo sacerdócio. Enquanto sua esposa Wadi'a se opôs inicialmente à ordenação de seu marido, ela, posteriormente, experimentou uma mudança em seu coração e em 1932 Habeeb foi ordenado ao diaconato e posteriormente ao sacerdócio por Sua Beatitude, na Catedral Patriarcal da Dormição da Santíssima Theotokos em Damasco (alMariamiyeh). Após sua ordenação, o Padre Habeeb serviu na paróquia da Catedral.

Então, iniciando em 1935, ele viajou frequentemente para Port Said e Cairo, mas em 1943 se estabeleceu permanentemente em Damasco e serviu a Catedral e cidades menores e vilas dentro da Arquidiocese de Damasco.

Em 16 de julho de 1948, enquanto fazia um retiro em um lugar isolado na aldeia de 'Aarnah, perto do Monte Hermon, na fronteira entre a Síria e o Líbano, o padre Habeeb deixou a aldeia no início da manhã e foi para uma encosta isolada próxima, onde ele poderia refletir, orar, ler e desfrutar da beleza natural da paisagem circundante.

De repente, ele foi atacado por um grupo de contrabandistas, que o capturaram e, por ser um padre cristão, zombaram dele e de sua fé e o espancaram severamente com tal ferocidade bárbara que resultou na morte do padre Habeeb.

 

Marido e pai

 

O Padre Habeeb e Khouriya Wadi’a eram pais de duas filhas e três filhos: Juliette, Marçel, Fadwa, Nicholas e Salem. Salem, o mais novo, nasceu durante o primeiro ano de sacerdócio de seu pai. Quando Salem tinha três anos, o segundo filho mais novo do casal Kheshy, Nicholas, morreu aos cinco anos; isso foi durante o período em que o Padre Habeeb estava frequentemente longe de casa e de sua família, ministrando aos imigrantes da Síria e do Líbano que viviam em Port Said. Quando soube da morte de seu filho Nicholas, o padre Habeeb voltou para Damasco. Ao entrar em casa, consolou a esposa, dizendo: “O Senhor dá e o Senhor tira. Bendito seja o Nome do Senhor! ” Khouriya Wadi’a era uma mulher fiel e humilde, conhecida entre todos por seu espírito generoso, amoroso e compassivo. Embora ela raramente fosse vista sentada e tomando alguns momentos para si mesma, quando o fazia, ela nunca ficava sem a Bíblia Sagrada ou seu livro de orações nas mãos. Diz-se que o Padre Habeeb sentiu-se atraído por ela porque reconheceu nela um grande amor pelo Senhor. Ela foi sua parceira em tempos de tristeza e tensão, uma co-sofredora com ele em tempos de tragédia e a guardiã de confiança de seus segredos. O padre Habeeb compartilhou todos os seus problemas com ela e buscou seu conselho na maioria das coisas; ele até mesmo confidenciou a ela o conteúdo de sua regra pessoal de oração.

Embora ela, a princípio, se opusesse à sua ordenação, o raciocínio de Wadi'a não tinha a ver com qualquer falta de amor por Cristo ou Sua Igreja, mas foi motivado pela preocupação com o bem-estar econômico de sua família. Na época em que o tópico da ordenação foi discutido pela primeira vez, Wadi'a era esposa de um contador bem-sucedido, bem visto e altamente respeitado com uma posição segura e bem remunerada, enquanto ela via padres e suas famílias vivendo em situações financeiras muito desesperadoras. Seu marido, abstendo-se de impor à força sua vontade sobre ela, pois sempre foi gentil e compassivo ao lidar com sua esposa, deixou-a nas mãos de Deus e esperou um ano. Em algum momento durante aquele ano, Wadi'a teve um sonho que a fez mudar de ideia.

O conteúdo do sonho foi o seguinte: Wadi'a viu um soldado - que parecia se assemelhar ao Arcanjo Gabriel, conforme ele é representado em seu ícone. O soldado veio em sua direção, olhou para ela e apontou primeiro para uma torneira de onde jorrava água. Ele então apontou para uma segunda torneira de onde a água estava pingando lentamente, quase nada, e disse para ela, "De agora em diante você deve se contentar com pouco!" Quando ela acordou, Wadi’a disse: "Aquele soldado foi o Arcanjo enviado por Deus!" A partir daquele momento ela se submeteu à vontade de Deus, consentiu com a ordenação de seu marido e se preparou para aceitar com um coração alegre e agradecido tudo o que acontecesse com sua família.

O padre Habeeb foi justo com sua família e seu ministério, fazendo um equilíbrio entre as necessidades de sua família e suas obrigações pastorais. Sua programação diária era geralmente bem organizada. Como todo pai, ele jantava regularmente com sua família, exceto em momentos de necessidade. Ele foi firme, mas gentil ao implementar a disciplina da Igreja sobre jejuns e orações. Ele gostava de excursões com sua família e tinha senso de humor.

 

Sacerdote do Altíssimo

 

Desde sua juventude, o Padre Habeeb aspirava à alta vocação do sacerdócio sagrado e orava para ser digno de seguir os passos de seu pai em direção ao martírio. Não se sabe muito sobre seu trabalho pastoral, mas o que se sabia é que ele amava sua paróquia, cuidava de seus paroquianos continuamente e com zelo, seguindo os passos de seu Mestre. Ele era conhecido, amado e admirado como um homem de oração fervorosa, liturgista piedoso e devoto, e amante abnegado dos pobres.

O povo testemunhou que o Padre Habeeb transfigurou muitas vezes durante a Divina Liturgia. Ocasionalmente, ele foi visto erguido no ar enquanto estava rezava diante do Santo Altar ou dos ícones. Depois de seu martírio, sua esposa Wadi’a disse "que ele havia revelado tais coisas a ela em segredo muitas vezes". Os pobres eram seus melhores amigos. Os ricos fiéis que amavam a Deus, ajudavam-no generosamente a auxiliar os pobres e estavam confiantes de que seus dons chegariam sempre aos mais necessitados. Mas tudo isso criou muitos problemas para ele, especialmente da parte de um clérigo ciumento, que o criticou dizendo: “O povo paga a ele mais do que a nós”, enquanto sua resposta sempre foi "Se isso é o que as pessoas me dão, o que isso tem a ver comigo?"

Um egípcio que o conhecia pessoalmente, certo dia respondeu espontaneamente a uma pergunta sobre os limites da generosidade do Padre Habeeb para com os pobres, dizendo: "É uma loucura como ele espalha seu dinheiro entre os pobres!" Sua família disse que uma vez uma mulher necessitada bateu em sua porta e implorou por comida para sua família. Olhando para a cozinha, o padre Habeeb viu no fogão uma panela cheia de rolinhos de repolho que sua esposa havia preparado para o jantar da família naquela noite. Ele imediatamente e sem qualquer hesitação pegou o pote e deu-o à mulher necessitada, juntamente com as suas bênçãos e votos de que lhe fosse concedida uma porção dupla de saúde.

Mas, como é comum com homens como o padre Habeeb, a maioria de seus atos de caridade foram feitos em segredo e conhecidos apenas por poucos. Entre aqueles que são conhecidos, o mais famoso é talvez a história do "Jibbee" (exorasson, o manto comprido do sacerdote, manto preto).

Seu irmão Youssef certa vez enviou ao padre Habeeb um novo Jibbee do Egito. Tendo negócios no Patriarcado, o Padre Habeeb o colocou e seguiu seu caminho ao longo da “rua chamada Direita.” Chegando ao Patriarcado, o Padre Habeeb foi conduzido para cumprimentar o Patriarca. Depois de abençoar o Padre Habeeb, o Patriarca comentou, dizendo: “Que belo Jibbee nova você está vestindo, Abouna. Que seja abençoado! ” Ele respondeu: “E que Deus o abençoe também, Sayedna! Meu irmão me enviou como um presente do Egito. ” "E o que, posso perguntar, você fez com o seu antigo jibbee?" perguntou o Patriarca. “Esta em em casa, Sayedna.” "Ótimo. Mais tarde, mandarei à sua casa um padre idoso de Houran. Se você tiver a gentileza, por favor, dê seu velho jibbee a ele, pois ele e sua congregação são muito pobres. ” O Pai Habeeb colocou a mão sobre o coração e inclinou educadamente a cabeça, dizendo "Como desejar, Sayedna." Mais tarde naquela noite, o padre idoso de Houran chegou à casa do Padre Habeeb. O padre, que estava usando seu velho jibee, deu-lhe as boas-vindas com alegria, deu-lhe o lugar de honra em sua sala de estar, serviu-lhe café e doces com as próprias mãos e deu-lhe um pacote lindamente embrulhado. Quando o sacerdote desembrulhou o presente, ele encontrou o novo jibbee do Egito!

Também se sabe que o Padre Habeeb costumava pedir dinheiro emprestado aos ricos, dizendo que tinha alguma necessidade pessoal. Mas, na verdade, ele pegava o dinheiro e discretamente emprestava aos pobres paroquianos que, por falta de dinheiro, não podiam casar suas filhas. Ele foi especialmente rápido em fazer isso quando descobria que uma garota de sua congregação estava sendo perseguida por um muçulmano.

Após seu martírio, sua família encontrou um caderno no qual ele listou os nomes das pessoas de quem havia emprestado dinheiro e o valor de sua dívida para com elas. Quando sua família procurou pagar essas dívidas, eles descobriram que todo esse dinheiro havia sido dado a ele para ajudar os pobres. Mas ainda assim ele os considerou como dívidas que ele deveria reembolsar.

 

Caráter e virtude

 

O padre Habeeb era puro, honesto, correto e sempre fiel a Deus; ele nunca desconfiou de ninguém. Ele tinha uma personalidade muito clara, descomplicada e elevada. Percebia e lia as pessoas como se fossem um livro aberto em suas mãos. Ele tinha um rosto esguio e brilhante, bem como um corpo esguio. Sua alma carregava seu corpo como um fardo, desejando deixá-lo para trás e ascender ao céu.

Ele sempre parecia estar admirado - mesmo quando confrontado com as coisas mais simples e naturais da criação de Deus. Sempre havia amor e carinho retratados em seu rosto e trabalhando por meio de suas mãos. E quando ele caminhava entre o povo de Deus e os necessitados, ele sempre tinha um presente em suas mãos, uma palavra de conforto em sua boca e uma oração humilde e fiel a oferecer.

Em sua bondade, ele nunca decepcionou ninguém e nunca rejeitou ninguém de mãos vazias. O Senhor Jesus sempre foi a plenitude de sua vida. Ele lutou o bom combate contra todas as tentações. Ele amava a vida ascética e se deleitava com a vida dos santos monásticos. Ele se tornou um verdadeiro templo para o Espírito Santo e viveu como se ferido pelo amor do Senhor Jesus e morreu como tal.

 

Partindo para o Martírio

 

Antes que o padre Habeeb deixasse Damasco e fosse até região ao redor do Monte Hermon, onde seria martirizado, algo anormal aconteceu com ele e ele informou sua esposa sobre isso.

Posteriormente, ela relatou que ele disse: “Hoje, enquanto rezava, senti que fui elevado acima do solo mais do que nunca”. Por alguma razão, com essas palavras seu coração queimou como se estivesse em chamas. Ela implorou que ele não fosse, pois ele insistia em ir mesmo depois que aqueles que haviam prometido acompanhá-lo na viagem haviam recuado. Quando ele se recusou a reconsiderar, ela fechou a porta na cara dele. Ele começou a rir e disse: “O que há de errado com você hoje, Khouriya? Não é comum que você me proíba de ir. Não é a primeira vez que vou para a montanha. ” Por meia hora ela tentou convencê-lo a não ir sozinho, mas não adiantou. Ela não conseguia faze-lo mudar de ideia.

Tudo isso aconteceu na frente de toda sua família, mas ele ainda insistiu em ir embora. Ela finalmente cedeu, aceitou sua bênção e se despediu dele. Quando ele partiu, ela o abençoou com o sinal da cruz e o recomendou à Mãe de Deus.

 

Uma testemunha gloriosa


Durante toda a sua vida, o Pai Habeeb rezou para ser considerado digno de glorificar a Deus por meio do martírio, como seu pai, e Deus concedeu-lhe que ele fosse Sua testemunha gloriosa em 16 de julho de 1948. Enquanto rezava naquele dia, em um local remoto fora da vila de 'Aarnah, o padre Habeeb foi atacado por um bando de contrabandistas, que, quando descobriram que ele era cristão e um padre, zombaram dele e o torturaram brutalmente, o espancando por mais de quatro horas, quebrando todos os ossos de seu corpo. Depois de saciarem sua fome torturando-o e perseguindo-o, eles jogaram o padre Habeeb de um penhasco do alto da montanha. Assim, este piedoso sacerdote se tornou um glorioso Hieromártir de Cristo. Quando seus assassinos foram pegos, eles tentaram se defender dizendo que pensaram que ele era um espião israelense.

Mas durante o julgamento, essa alegação se revelou uma mentira e a verdade foi esclarecida: eles haviam o matado porque sabiam que ele era cristão e sacerdote. É a partir da transcrição oficial do julgamento do tribunal - da própria boca de seus assassinos - que ficamos sabendo da tolerância do padre Habeeb e das circunstâncias precisas de seu glorioso fim. Mesmo sendo violentamente espancado e chutado por horas a fio, o Padre Habeeb nunca parou de pregar o Evangelho do amor aos seus torturadores, abençoando-os enquanto amaldiçoavam a ele e a seu Cristo, e pedindo a Deus que os perdoasse. No final, um desses homens, Ahmed Ali Hassan Abi-Alhassan, foi considerado culpado do assassinato do padre Habeeb e foi executado pelo governo sírio na manhã de 25 de setembro de 1948. O corpo do Hieromártir de Cristo, o sacerdote Habeeb Kheshy, foi enterrado no Cemitério de São Jorge, localizado a leste da muralha da cidade de Damasco.

Santo Hieromárir Habeeb, pai paciente e amigo dos pobres, rogai a Cristo Deus por nós!

 

(Embora ele ainda não tenha sido canonizado pela Igreja Ortodoxa de Antioquia , uma veneração popular existe entre os fiéis das Arquidioceses de Damasco e Haurun , onde é chamado de "o Novo Hieromártir Habeeb". Este procedimento é totalmente comum ao ethos Ortodoxo. Para maiores esclarecimentos sobre o processo de glorificação de um Santo na Igreja Ortodoxa, ler A Glorificação dos Santos na Igreja Ortodoxa)

sexta-feira

Doenças, dor e a Providência Divina - Ancião Simeão (Kragiopoulos)




por Ancião Simeão (Kragiopoulos)

O sacramento da Unção dos Enfermos é para a cura de nossas doenças. Se não somos curados por este Sacramento, é porque não precisamos ser curados. Se você compreende essa ausência da cura, você já está curado. Você já sabe que uma doença, que perdura e não passa, é preciosa.

O que quer que precise desaparecer, Deus removerá. Tudo o que não precisa permanecer, Deus remove, seja uma doença ou uma influência demoníaca. E por tudo o que permanece e nos prejudica, devemos rezar a Deus. Devemos rezar várias vezes, repetidamente devemos rezar, não apenas pela libertação das doenças da nossa alma e das influências demoníacas, mas também pela libertação das doenças corporais.

Vamos rezar a Deus por tudo, de novo e de novo. Não porque Deus precise ouvir nossas orações repetidamente, mas porque precisamos demonstrar, por meio de nossa busca por Ele, nossa fé. Para o homem moderno, essas lições são aprendidas através da repetição.

Se você rezar repetidamente, e você precisa fazer isso, e Deus não responder a sua oração ou remover suas doenças, perceba isto: ou você não mostrou tanta fé quanto Ele quer e espera de você, ou a doença não deve ir porque é necessária para você.

Se você compreender a sua doença da perspectiva de Deus, então, quando ela permanecer, você se sentirá duplamente curado. Se Ele te curar, você será curado uma vez. Se a doença persistir, você se sentirá curado duas vezes. Quando chegar a hora da cura de sua doença, e no momento certo, sua alma experimentará a cura também. Quando isso ocorrer, sua pessoa interior será curada, (pois) esta é a pessoa que sofre de doença, da lepra do pecado.

O mesmo vale para todas as doenças mentais e tudo o mais nos machuca.

“Se o homem encarar todos os seus problemas dentro da providência de Deus, ele sentirá um grande alívio, como se todos os seus problemas estivessem resolvidos.

Porque em Deus tudo está resolvido! 


trecho do livro: Are You in Pain? Looking deeply into the mystery of pain


+++




Como seria bom se não deixássemos nossa dor se perder! De uma forma ou de outra iremos sofrer. Mas toda a nossa tortura e luta irão por água abaixo, a menos que façamos bom uso da dor, a menos que a exploremos. Aproveitamos bem a dor, exploramos bem a dor, quando assumimos a postura correta.

Chega um momento em que a pessoa sente o grande bem que surge da dor e - por mais estranho que pareça - diz: “Nada beneficia a humanidade tanto quanto a dor”.

Quando falamos sobre dor, geralmente nos referimos à doença, ao declínio físico geral do homem e à morte. Se não fosse por eles, seríamos como bestas brutais. A sociedade seria uma selva. Mas graças a eles, ficamos domados.

O cristão é capaz de fazer um bom uso de todas as dores, de modo que pode estar constantemente no Paraíso.

Saiba disso: quando a dor tiver completado o seu trabalho, Deus a leva embora. Não é difícil para Deus remover qualquer dor.

Quando sofremos, quando uma dor persiste, pensemos assim: “Deus quer que disso saía algo bom em mim; e eu ajo como se não entendesse. E tudo que eu faço é gemer e gemer. ”

Que não haja nenhuma reclamação, nenhuma rebelião, nenhuma ignorância. Se possível, qualquer que seja a dor que você sente, enfrente-a dizendo estas palavras: “Bendito seja, meu Deus. Seja feita Tua vontade." Dessa forma, nossa dor não será desperdiçada, mas será explorada ao máximo. Tiraremos vantagem disso, e o grande bem salvífico virá aos nossos corações.

Quando Deus te visitar com tristezas, diga: “Obrigado, meu Deus. Como eu não tinha absolutamente nenhuma intenção de abraçar algumas coisas ruins, algumas dores e realmente seguir Teu caminho, Tu me alcançou e me deu algumas. Como posso agradece-Lo o suficiente? ”



quinta-feira

O Aborto como uma forma de Genocídio - Arquimandrita Efrem de Vatopedi


 



Por Arquimandrita Efrem de Vatopedi

Vivemos em uma época em que as pessoas estão se tornando cada vez mais vingativas. Sua moral está se deteriorando e suas mentes estão obscurecidas. O absurdo que as pessoas estão experimentando hoje é óbvio e inegável. Estamos vivendo em uma época profetizada por Antônio, o Grande, quando as pessoas que são loucas parecem ser racionais e aqueles que são racionais são considerados loucos. Pode-se alegar que em tempos antigos também havia pecaminosidade desenfreada, mas devemos notar que nunca houve essa legitimação ofensiva e aceitação social generalizada do pecado. Em nossa época, o aborto, o adultério e o homossexualismo foram legalizados, embora isso fosse inconcebível até meados do século XX. É uma causa de espanto, senão outra coisa, que hoje o pecado seja projetado não apenas como legítimo, mas como um modo de vida ideal.

 

Hoje a família vive uma grande crise em todo o mundo. O eterno inimigo da humanidade sabe muito bem que se atingir o cerne da sociedade, que é a família, ele alcançará seu objetivo. Ele criou condições para que os jovens evitem ou adiem o casamento e, naturalmente, sem pensar no que deveria ser desnecessário dizer - castidade e uma vida em Cristo. Eles não casam (mais) na Igreja, que é o único casamento válido e abençoado aos olhos de Deus. Eles realizam um casamento civil ou aquele moderno e demoníaco acordo para viverem juntos, pelo qual até homossexuais podem se casar.

 

E mesmo nas famílias existentes, ele criou tentações súbitas, de modo que o divórcio se apresenta facilmente como a solução ideal! As estatísticas das dioceses da Igreja da Grécia indicam que em qualquer ano há mais divórcios do que casamentos. [NdoT: o número  de casamentos realizados pela Igreja Ortodoxa no Brasil também caiu drasticamente, assim como os de outras denominações cristãs)

 

Então, quando as pessoas de hoje enfrentam uma gravidez indesejada, elas pensam que um aborto é perfeitamente natural. Foi aceito sob o termo "interrupção artificial da gravidez". Como se fosse tão fácil, como apertar um botão e desligar a eletricidade. As pessoas que fazem aborto não têm a sensação de que estão cometendo um crime, um grande pecado, que é o assassinato. Desde o momento da concepção, isto é, quando o óvulo é fecundado, temos um embrião que também é uma pessoa, uma entidade psicossomática que cresce nove meses no ventre da mãe até ver a luz da vida ao nascer. Em nenhum momento do progresso do embrião no ventre de sua mãe, mesmo nas primeiras doze semanas, podemos cortar sua vida. Se o fizermos, é assassinato.

 

Não é apenas a mãe a responsável pelo aborto / assassinato; se o pai consentir com essa ação violenta e ultrajante, ele também assume a responsabilidade. Ambos matam seus filhos não nascidos. Só porque eles não permitem que nasçam, não significa que não sejam filhos deles. E qualquer médico que faz um aborto também tem uma grande responsabilidade. Esses médicos não devem olhar para sua profissão - que não é tanto uma profissão, mas mais uma vocação - do ponto de vista financeiro, mas também devem vê-la em termos morais e espirituais. Conhecemos muitos ginecologistas e cirurgiões que nunca realizaram um aborto. Eles podem invocar razões pessoais de consciência e evitar a operação. Na verdade, em vários casos, após uma discussão educada e afetuosa que tiveram com a pessoa que estava prestes a fazer um aborto, eles conseguiram cancelar a operação e persuadiram a mãe a aceitar a gravidez.

 

Este pecado de aborto / assassinato é um peso na consciência da mãe para o resto de sua vida. Quando ouço a confissão de muitas mulheres que caíram neste pecado, eu vejo a culpa, o arrependimento, mesmo que elas tenham se confessado. E muitas vezes, uma mulher não para em um aborto, às vezes chega a dois dígitos. É necessário um profundo arrependimento, esforço e obras de arrependimento para eliminar as consequências desse pecado. Claro, com a confissão, o pecado é perdoado, mas as consequências persistem. Você tem que colocar a dor correspondente, por meio do arrependimento, pela observância cuidadosa dos mandamentos de Deus, se sua alma vai recuperar sua paz e sua serenidade. Deus é misericordioso e sempre aceita nosso arrependimento, mas ainda há a lei espiritual que precisa ser satisfeita após o cometimento de qualquer pecado. Por mais prazer que tenhamos ao cometer o pecado, precisamos sentir a mesma dor por meio de nosso arrependimento. E por que devemos chegar ao ponto em que temos de nos arrepender e nos preocupar em restaurar nosso relacionamento pacífico com Deus e nossa consciência? Não seria melhor não cometer o pecado em primeiro lugar? É por isso que precisamos de informações e esclarecimentos sobre o terrível pecado do aborto.


Compreendemos as tentações e desafios de nossos dias, que oferecem prazer carnal às pessoas com muita facilidade. Relacionamentos pré-matrimoniais e extraconjugais são considerados normais, mas, na verdade, não são naturais. Desta forma, as condições adequadas e o próprio mistério do casamento são espezinhados. A castidade antes do casamento e a fidelidade e moderação madura dentro dele não são o resultado da aplicação de algum tipo de mandamento moralista de Deus, mas têm uma dimensão ontológica. ‘Por causa disso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua esposa, e eles serão uma só carne’ (Gênesis 2:24). Quando um casal desfruta de relações conjugais dentro do casamento, eles são um, eles experimentam a verdadeira unidade e amor, abençoado por Deus. Todo relacionamento pré-marital ou extraconjugal, entretanto, divide a personalidade. E o fruto natural dessas relações pecaminosas são gravidezes indesejadas, que, é claro, levam ao aborto.

 

Ao mesmo tempo, a crise econômica, que começa a assumir proporções globais, é outro motivo que leva os casais ao aborto. As dificuldades financeiras enfrentadas pela família parecem ser um fator inibidor para a criação de outro filho, por isso recorrem ao aborto. Um grande erro! As pessoas não são os únicos criadores no nascimento dos filhos, mas trabalham junto com Deus, o Criador. Deus sabe e tem o poder de cuidar de Suas criaturas muito melhor do que nós. Veja como o próprio Cristo gentilmente zomba de nós, de certa forma, por não confiarmos em Sua providência: 'Não se vendem dois pardais por um centavo? E nenhum deles vai cair no chão a menos que seu Pai saiba. Até os cabelos de sua cabeça estão todos contados. Não tenha medo, então; você vale mais do que muitos pardais '(Mt 10: 29-31). Se Ele cuida dos pardais, não vai se importar com as pessoas, que foram feitas à Sua imagem? Hoje perdemos nossa fé, não tanto fé no Deus Triúno, isto é, fé dogmática, mas fé na providência de Deus, nossa confiança em Deus. Temos que nos tornar mais seguros nessa fé e temos que pedir isso a Deus. Quando os apóstolos pediram a Cristo para aumentar sua fé (Lc 17: 5), era essa fé que eles se referiam.

 

Todos os anos, em todo o mundo, ocorrem cerca de 50 milhões de abortos. É como se matássemos toda a população da França. A Grécia, infelizmente, ocupa o primeiro lugar na Europa, com mais de 300.000 abortos a cada ano, com 22% das mulheres gregas tendo pelo menos um. Na Rússia, nos últimos anos, o número de abortos ultrapassou 1 milhão por ano, com um recorde mundial em 1990 de 4.103.400. E, claro, na realidade esses números e porcentagens são muito maiores, porque muitas mulheres não vão a hospitais públicos para fazer um aborto, sabendo que com certeza serão registradas, mas preferem clínicas privadas, onde os registros não são necessariamente mantidos. Esses números não incluem os 'abortos de proveta', que também são muito altos e surgem de procedimentos de fertilização in vitro, quando há muito mais óvulos fertilizados do que aqueles que serão implantados ou usados; abortos para "experimentos genéticos" que são realizados para uma variedade de propósitos; e abortos de gêmeos ou trigêmeos para que nasça um único filho.

 

Muita gente afirma que o problema demográfico que a Grécia em particular enfrenta, como também a Rússia, será o maior problema da próxima década, pois as mortes já são mais numerosas do que os nascimentos. O principal problema não é a baixa taxa de natalidade (embora isso, é claro, exista), mas mais o fato de que o aborto é uma nova forma de genocídio. Já existem mais abortos do que nascimentos na Grécia - quase três vezes mais!

 

Não posso aceitar que o crime revoltante do aborto esteja acontecendo de tal forma nos países Ortodoxos. Este é um fenômeno que deveria nos fazer pensar, deveria nos chocar profundamente, eu diria, e deveria soar o alarme. É totalmente inaceitável para os povos Ortodoxos perpetrar crimes como este. Isso demonstra que não vivemos como cristãos Ortodoxos, mas apenas registrados como tal em nossas carteiras de identidade. Nosso modo de vida não é cristão. Acho que a Igreja Ortodoxa deveria ser mais ativa em relação a esse assunto, da mesma forma que os católicos romanos. Precisamos cooperar com o Estado, mas aí o próprio Estado legalizou o aborto, então existe conflito de interesses aí. Todo o clero e leigos precisam se mobilizar em uma campanha contra o aborto, um esforço que fluiria do verdadeiro conhecimento e amor pelo próximo.