quinta-feira

A Ressureição de Cristo e a Crença de Tomé - Arquimandrita Gregorios (Estephan)



Por Arquimandrita Gregorios(Estephan) – Hegúmeno do Mosteiro da Dormição da Mãe de Deus - Bkefitine

O "Domingo de Tomé" não trata isoladamente de Tomé, mas também diz respeito a Cristo. Ele trata da questão da crença de Tomé, mas também nos dá o testemunho da Verdade da Ressurreição de Cristo. Pois antes de sua confissão existencial na Ressurreição, Tomé também enfrentou a Verdade da Ressurreição de Cristo como uma interrogação, impossível de abordar com a lógica intelectual. Esta Verdade, portanto, chocou toda a sua capacidade de raciocínio quando ele encarou o Senhor ressuscitado (Jo. 20:28).

Esse choque é semelhante ao do profeta Isaías quando viu o Rei, o Senhor dos Exércitos (Is 6:5). Com esta visão, Tomé conheceu o pecado da sua incredulidade: porque se ele “não tivesse visto e ainda sim acreditado” (cf. Jo 20,29), teria conhecido o Senhor Ressuscitado com todo o seu ser, e não apenas com aquela parte que é regida simplesmente pela lógica.

O homem foi criado, desde o princípio, para conhecer a Deus. Esse não é um conhecimento intelectual e teórico, mas existencial, e o caminho para esse conhecimento é a fé. A Verdadeira Fé em Deus leva ao conhecimento vivo de Deus. Até mesmo a própria fé se transforma em conhecimento, e o conhecimento em comunhão de vida eterna. Este é o significado do que Cristo disse: Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste (João 17:3). O conhecimento de Deus que nasce da fé, transcende totalmente o conhecimento nascido da convicção intelectual. O último nos revela questões sobre Deus, porque se baseia na sabedoria humana, enquanto o primeiro nos revela O próprio Deus, porque provem da iluminação divina.

A esmagadora maioria dos cristãos está contente com essa crença intelectual teórica. Esses cristãos têm um relacionamento externo com Deus, que não toca seu coração e seu ser interior. É uma espécie de conexão social com Deus baseada em princípios morais. O intelecto não é rejeitado na Ortodoxia, mas a confiança nele sozinho sempre constituiu um perigo real na jornada de fé de um cristão em direção a Deus.

A salvação do homem não é um assunto puramente intelectual, ou uma crença teorica em tudo o que Deus fez na dispensação da Cruz para nossa salvação. Pelo contrário: é uma fé absoluta, que contém uma experiência existencial da presença de Cristo.

O verdadeiro 'ser' do homem é o espírito, não o intelecto. Portanto, a resposta de Cristo a Tomé, de que "bem-aventurados são os que não viram e creram", mostra que Deus se compraze e revela Seus mistérios ao homem que se submete a Ele pela fé, de maneira sacramental, mística, transcendendo as limitações do intelecto, de modo que o homem tenha a oportunidade de conhecer a Deus com todo o seu ser e espírito.

Assim, o Apóstolo diz: Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11:6). São Macários, o Grande, diz que o conhecimento que opera pela fé, por si só torna a alma digna de receber “o conhecimento dos mistérios divinos” e entrar, pela fé, na comunhão da vida eterna.

Em verdade, a majestade de Deus e a grandeza de Sua glória estão além da capacidade intelectual do homem. Portanto, a fé de que os Santos Padres falaram é a capacidade da alma de transcender o poder da compreensão humana e aceitar a experiência da presença divina dentro dela.

São Simeão, o Novo Teólogo, diz: “A divindade, que é a graça do Santíssimo Espírito, nunca se revela a um homem que está alheio à Fé” (Verdadeira).

Essa Fé viva não é algo estabelecido de uma vez por todas, como é o caso das inovações evangélico-protestantes, porque isso faz de Deus um ídolo, não um Deus vivo. A fé é uma jornada de crescimento na submissão humana à vontade de Deus, com uma confiança que transcende toda dúvida. Em Sua presença, providência e justiça.

É por isso que o objetivo final da Fé é o próprio Cristo – a Verdadeira Fé, de acordo com nossos Santos Padres: nada mais do que Jesus Cristo.

Santo Inácio de Antioquia diz: “A fé perfeita é Jesus Cristo”. É por isso que o homem está consciente de que a fé perfeita não tem limites e está além de todo o poder de sua compreensão intelectual.

O salmista diz: Tal conhecimento é maravilhoso demais e está além do meu alcance, é tão elevado que não o posso atingir. (Salmos 139:6)

Pois o conhecimento de Deus que procede da fé é a comunhão direta do homem com Deus; é a obtenção da perfeição para a qual ele é chamado. Este dogma constitui o fundamento da salvação do homem no caminho da fé Ortodoxa.

Uma fé viva ecoa em um coração que foi purificado de todas as paixões e pecados, e praticou todas as virtudes. O homem que possui tal coração pode encontrar seu Criador e conhecê-Lo através de conhecimento pessoal. São Gregório Palamas diz: “Pois se você estudar toda a filosofia natural, de Adão até o final, você permanecerá impuro, tolo, e não uma pessoa sábia”.

Pois o nível superior da clareza dos olhos não está oculto no brilho dos objetos externos que eles observam, mas na ausência de qualquer borrão interno ou escuridão escondido dentro deles.

A remoção do véu interno e da escuridão no 'olho da mente', requer luta espiritual contínua e crescimento na vida de ascetismo, piedade e abnegação. É a fé que leva ao conhecimento da verdade, e não pode encontrar seu fundamento sólido em nenhum lugar, exceto na piedade e na humildade. Assim, segundo São Gregório Palamas, para que o conhecimento transcenda toda a sabedoria humana e se torne caminho para a verdade e instrumento do amor, deve-se matar primeiro a serpente, isto é, “depois de vencer o orgulho que procede esta sabedoria. ” O orgulho torna o conhecimento suscetível às fantasias satânicas, de modo que mais tarde se tornará propenso a toda perversão dogmática.

Por esta razão, especificamente, a Fé Ortodoxa está ligada à teologia dos Santo Padres ensinada pela Igreja – a teologia dos humildes santos e comunicantes dos Mistérios de Deus. A teologia intelectual e escolástica gera conceitos teóricos rígidos da fé, que transformam essa fé em um estilo de vida moral e repleto de definições legais. Ao passo que uma Fé viva, que se baseia na teologia ascética, que purifica as paixões, leva à visão dos Mistérios de Deus. Quando o Apóstolo disse: Grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne (1 Tm 3:16), ele provou que a santidade e a piedade são a porta de entrada para os mistérios da fé, e para as verdades relacionadas às revelações de Deus sobre Ele mesmo.

A ausência de Tomé entre os Apóstolos (João 20:24-31) foi obra da providência; serviu para um objetivo essencial: é a vontade de Cristo curar a dúvida e a nossa falta de fé. É estranho que o Senhor peça que o homem acredite nEle sem ver, e que Ele insista nesse pedido, porque a fé é um dom e uma revelação do próprio Deus, quando o homem abre seu coração a esse dom divino e não apenas seu intelecto. É por isso que o homem será questionado sobre sua fé no Dia do Juízo, e é por isso que Deus é paciente com nossa falta de fé: para nos curar e nos salvar, não para Se submeter às nossas fraquezas.

Ao dizer: Coloque o seu dedo aqui; veja as minhas mãos (João 20:27), Cristo mostrou amor ilimitado e paciência ilimitada para nossa salvação. E Ele tomou a iniciativa antes que Tomé Lhe pedisse, oferecendo Seu corpo e Suas feridas. Cristo condescendeu com a fraqueza de Seu discípulo, assim como Ele continuamente condescende com as fraquezas dos homens e aceita que Sua obra salvífica seja posta em dúvida.

Com muita humildade, Ele aceitou a dúvida de seu discípulo que o acompanhava há três anos, dia e noite. Ele gentilmente o repreendeu e não o condenou, porque ele confessou e se arrependeu. E até hoje, se os cristãos não vivem a ressurreição de Cristo com um espírito vivo, oração, jejum e trabalho ascético, mas através de seu intelecto limitado, então eles vivem sem Cristo.

Até que chegue o momento em que clamamos do fundo de nossos corações: Senhor meu e Deus meu!  (Jo 20:28), nossa fé permanecerá teórica, sem a presença real do Senhor triunfante - uma fé morta, sem dons espirituais. Desprovida da Graça e da salvação. 




Arquimandrita Gregórios



Tradução : Pe Paísios

quarta-feira

Seguindo os Santos Padres: Pe. Theodoros Zisis e a fuga do Cativeiro Babilônico do Ecumenismo





"Antes eu era discípulo dos ecumenistas, mas me tornei discípulo e seguidor dos Santos Padres. E me glorio neste fato!"

- Pe. Theodoros Zisis.

 


1. Introdução.


Recentemente, vários textos escritos pelo conhecido, e agora aposentado, Professor de Patrística, Protopresbítero Theodoros Zisis, 'ressurgiram', alcançando os fiéis ortodoxos de língua inglesa através da Internet. [1] Originalmente publicados na década de 1970, esses textos, particularmente um intitulado 'O Patriarcado Ecumênico e o Arquimandrita Justino Popovich', falam com entusiasmo do Patriarcado Ecumênico e do Patriarca Atenágoras, [2] e são críticos do recém-reconhecido santo sérvio Justino Popovich. [ 3] Alguém pode se perguntar: o que torna a "redescoberta" desses textos antigos particularmente interessante? Parece ser o fato de que o Pe. Theodoros é agora, cerca de trinta anos depois, uma luz de liderança no mundo Ortodoxo, conclamando os fiéis Ortodoxos - hierarcas, clérigos e leigos - a defender a Tradição da Igreja expressa nos escritos dos Santos Padres e nos cânones sagrados, em face da pan-heresia do ecumenismo. Em outras palavras, ele está nos convidando a seguir os passos de São Justino Popovich, apontando assim as práticas ecumenistas não canônicas do Patriarcado Ecumênico.


Uma série de possíveis motivações surgem ao considerar por que esses textos, agora com trinta anos, estão em circulação, então. Pode ser uma tentativa de desacreditar o testemunho do Pe. Theodoros diante Igreja contemporânea; para criar a impressão de que ele é, de alguma, forma inconsistente? Poderia ser uma tentativa de desapontar aqueles que viram nele a luz de Cristo, a luz da Verdade, apresentando seu líder como um ex-ecumenista? Basta olhar para dois grandes confessores Ortodoxos, São Marcos de Éfeso e Gennadios II Scholarios - ambos muito amados pelo próprio Pe. Theodoros - para descobrir que precisamente essas táticas foram usadas ao longo da história contra aqueles que ousaram se opor a falsas uniões. [4 ]


Qualquer que seja a motivação para chamar a atenção para esses textos, Deus permitiu que se tornassem uma oportunidade para nosso benefício espiritual. Como disse o Justo José, consolando seus irmãos após sua grande traição: "[Vós] intentaram o mal contra mim; mas Deus o intentou para o bem". [5] Como resultado destes acontecimentos recentes, o Pe. Theodoros decidiu descrever o seu caminho desde a mentalidade ecumenista, ou o que ele chamou, "o cativeiro babilônico que atualmente se apodera do Patriarcado Ecumênico", para aquela liberdade que é obediência à Tradição de a Igreja Ortodoxa. A seguir, farei um resumo desse percurso, como ele mesmo o descreveu em uma confissão pública que, a partir de 12 de abril de 2011, chegou à internet apenas em formato de vídeo. [6] Isso esclarece qualquer confusão em torno da história dos textos em questão e fornece um importante testemunho para a Igreja contemporânea.

 

2. Formação inicial

 

Que o Pe. Theodoros foi em algum momento de sua carreira um 'filopatriarhikos' está longe de ser segredo. [7] Em sua recente discussão sobre esta questão, ele sugeriu que, enquanto o jovem que "redescobriu" esses escritos de trinta anos sentiu que " havia descoberto a América", uma rápida varredura de seus detalhes biográficos revela essas primeiras inclinações para qualquer um que se importe em olhar. Estudante da Universidade Aristóteles de Tessalônica entre 1961 e 1965, o Pe. Theodoros foi envolvido por uma faculdade de teologia que não contava com um único antiecumenista em seu corpo docente. O corpo docente não era apenas inteiramente ecumenista; foi, com entusiasmo, inspirando-se no Patriarca Ecumênico Atenágoras. O Patriarca Atenágoras foi projetado como figura profética para o então jovem impressionável, ideia reforçada pelas imagens do Patriarca, que parecia um novo Moisés com sua longa barba, encontrando e envolvendo o Papa com os braços estendidos quando os dois se encontraram em Jerusalém em 1964. O conselheiro do Pe Theodoros na universidade, o conhecido patrólogo Panagiotis Chrestou, era próprio próximo de Atenágoras, tendo sido nomeado director do Instituto Patriarcal de Estudos por ordem do Patriarca. Tendo respirado o ar de tal ambiente ao longo dos primeiros anos de sua educação, não deve ser surpresa que o Pe. Theodoros tenha inicialmente se apaixonado tanto pelo ecumenismo quanto pelo Patriarcado. Assim, antes de 1976, todas as suas obras eram puramente teológicas - em grande parte estudos dos Padres - e nenhuma foi escrita contra o ecumenismo ou o Patriarcado - muitos, como os escritos em questão, até refletiram positivamente sobre eles. 


3. Uma primeira olhada através das nuvens.

 

Como um jovem professor, formado com notas máximas e possuidor de um grande amor pelo Patriarcado Ecumênico, talvez não seja surpreendente que o nome 'Theodoros Zisis' tenha se tornado intimamente associado ao Fanar. Ele logo se tornou "o escolhido" do Patriarcado, escrevendo centenas de discursos e outros documentos para o Patriarca Dimitrios. Esse relacionamento logo se tornaria difícil, no entanto.

 

Entre 1978 e 1980, o Pe. Theodoros empreendeu um estudo aprofundado de Gennadios II Scholarios, o primeiro Patriarca de Constantinopla após a queda da cidade em 1453, na esperança de produzir uma monografia. [8] Ele descreveu esta decisão como sendo o produto de uma "intervenção divina" e "iluminação divina", uma vez que nunca tinha realmente pensado em retomar o tema anteriormente e foi este mesmo estudo que lhe trouxe, pela primeira vez, toda a tradição da Igreja no que se refere ao papismo, os eventos do Concílio de Ferrera-Florença e as lutas de São Marcos de Éfeso. Por meio desse estudo, ele aprendeu muitas coisas que haviam sido ocultadas dele em seus estudos universitários anteriores. Comparando o caminho que ele havia percorrido, com o caminho aberto diante dele pelos seus recentes estudos, o Pe. Theodoros começou a perceber que se enganara. Assim, começou o seu processo de reorientação.

 

4. Ordenação.


Combinado com seu estudo da tradição Ortodoxa, sua inquietação continuou a crescer quanto mais tempo ele passava representando a Igreja Ortodoxa nos diálogos entre Ortodoxos e Católicos Romanos. Tendo empreendido essa tarefa inicialmente em 1985, a pedido do Metropolita Dionísio de Neapoleos e Stavropoleos, que se queixou de que não havia representantes da Escola Teológica de Salónica incluídos nas delegações ortodoxas, esta experiência pintou para ele um quadro do que a palavra "diálogo" verdadeiramente significou no contexto do ecumenismo moderno.

 

Apesar de sua crescente inquietação com a postura ecumênica do Patriarcado, em 1991, com a idade relativamente avançada de 49 anos, o Pe. Theodoros aceitou a ordenação. Ele foi ordenado no Mosteiro Patriarcal de Santa Anastasia, a Farmacolitria, nos arredores de Thessaloniki. Para o evento, o Patriarca Demetrios enviou o bispo de maior patente do Patriarcado, Bartolomeu de Calcedônia, [9] para realizar a ordenação. Neste ponto, o Pe. Theodoros sugeriu que ele estava disposto a viver com suas dúvidas sobre a orientação de Constantinopla vis-à-vis o ecumenismo, juntamente com o entendimento de que, como um clérigo dentro do Patriarcado, ele poderia possivelmente causar alguma mudança positiva.


Pouco depois de sua ordenação, porém, o Pe. Theodoros se deparou com um acontecimento no contexto do diálogo ecumenico, que se revelou particularmente abalador: a condenação de Unia em Freising. 


Em 1991, as delegações Ortodoxa e católica assinaram a condenação de Unia. O Pe Theodoros desempenhou um papel fundamental na redação dos documentos e na mediação do acordo entre os representantes Ortodoxos e do Vaticano. Antes que os documentos relacionados se tornassem amplamente divulgados, no entanto, o Metropolita Stylianos da Austrália visitou sua casa na presença de sua Presvytera (esposa de um sacerdote), solicitando que o Pe. Theodoros ajudasse a encobrir os documentos já assinados. 


Naquela condenação, uma vitória clara para a verdade foi alcançada - uma vitória da Santa Ortodoxia - e ele estava sendo solicitado a garantir que isso passasse despercebido! Em dois anos, devido à grande influência do Vaticano, os documentos desapareceram e uma nova consulta foi realizada em Balamand, no Líbano, que limpou a reputação de Unia, fingindo que a condenação em Freising nunca havia ocorrido. [10] O P. Theodoros escreveu uma crítica ao acordo de Balamand - um documento que se revelaria o início do fim da sua cooperação com o Patriarcado.

 

5. A Ascensão do Patriarca Bartolomeu.

 

Durante o período entre Freising e Balamand, Bartolomeu de Calcedônia ascendeu ao trono patriarcal de Constantinopla. Logo após sua ascensão, o novo Patriarca chamou Pe. Theodoros ao seu cargo. Ele tinha uma pergunta: "Você trabalhará para mim - escrevendo discursos etc. - com tanto fervor quanto trabalhou para meu antecessor?" Com isso, o Patriarca se ofereceu para fazer do Pe. Theodoros seu logógrafo oficial. [11] Em sua discussão sobre estes eventos, o Pe. Theodoros descreve "congelar" enquanto estava sentado no escritório do Patriarca; sabendo que a cooperação estava se tornando cada vez mais difícil com base no que ele agora entendia. Além da oferta de um cargo, o Patriarca disse que estava planejando uma viagem à Alemanha para um evento ecumênico e que queria que o Pe. Theodoros o acompanhasse, como forma de agradecimento por tudo o que fez pelo Patriarcado.

 

Em 1993 eles viajaram para a Alemanha. No evento ecumênico, a delegação Ortodoxa investiu e se engajou em um exemplo claro de oração conjunta com grupos heréticos. [12] Sem acreditar no que via, o Pe. Theodoros ficou ao lado, sozinho. O fato foi percebido pelo futuro Metropolita da América do Sul, então diácono, que lhe perguntou: "Pe. Theodoros, não quer subir e se juntar ao grupo?" Ele agora sabia que as acusações de que o Patriarcado e os ecumenistas Ortodoxos estavam engajados em orações conjuntas com os hereges eram verdadeiras o tempo todo; que isso não tinha sido uma calúnia, como ele pensara originalmente. Sua mente estava decidida: "Não posso trabalhar para uma Igreja que não segue os Santos Cânones." Ao voltar para casa, o Pe. Theodoros recebeu um telefonema de alguém dizendo-lhe que o Patriarca precisava dele para apresentar vários documentos. Pe Theodoros recusou, acabando com a sua cooperação com o Patriarcado.

 

6. A tempestade que se aproxima.

 

A crítica do Pe Theodoros ao acordo de Balamand, a sua recusa em suprimir as decisões de Freising, as suas ações no evento ecuménico na Alemanha, bem como a sua mudança geral de mentalidade, foram devidamente notadas por quem ocupava lugares importantes. O Vaticano, insatisfeito com a condenação da Unia e de seu arquiteto-chefe, expressou seu descontentamento ao Patriarca, que, depois de ver também a crítica aberta do Pe. Theodoros ao novo documento de Balamand, enviou-lhe uma carta afirmando que o Pe. Theodoros Zisis não seria mais usado pela Igreja Ortodoxa nos diálogos com os Católicos Romanos. Isso, no entanto, foi apenas o começo.

 

Logo depois, ele recebeu outra carta do Patriarcado. Desta vez, foi feita uma pergunta simples: "Para qual Metrópole devemos enviar seus papéis?" Em questão de poucos anos, o Pe. Theodoros notou que ele passou de "escolhido" a persona non grata no Patriarcado, simplesmente por mudar de opinião sobre o ecumenismo, com base na pesquisa acadêmica e na experiência. Esses acontecimentos deixaram o Pe. Theodoros em uma posição incômoda, já que ele particularmente não os esperava. O repouso do Metropolita de Thessaloniki, Pandeleimon, acrescentou ainda mais complexidade à sua situação, uma vez que seria impossível solicitar uma transferência até que o novo Metropolita fosse eleito. Ele então respondeu ao Patriarca de acordo, sugerindo que ele não poderia fazer nada até que um novo Metropolita fosse escolhido. Sem nenhuma solução imediata em vista, o assunto foi esquecido por um período.

Essa paz não durou muito, entretanto. Quando o Patriarca recebeu o Papa no Phanar, o Pe. Theodoros voltou a responder escrevendo um artigo intitulado: 'Longe do Caminho dos Santos Padres', no qual descreveu o encontro e a mentalidade que o motivou (a escrever sobre). Desta vez, uma segunda carta foi enviada e o pedido do Patriarca foi atendido; O Pe Theodoros foi aceito e registado como clérigo da Santa Metrópole de Salónica, encerrando oficialmente a sua associação com o Patriarcado Ecuménico.

 

7. São Justino Popovich.

 

Tendo discutido como sua visão de mundo mudou desde o momento em que escreveu originalmente os artigos em questão, até os dias atuais, o Pe. Theodoros voltou-se diretamente para a questão de sua relação com São Justino Popovich.

 

O Pe. Theodoros sugeriu que, se alguém ler os artigos em questão por si mesmo, verá claramente que, embora discordasse do grande ancião sérvio da época, ele ainda nutria o maior respeito e amor por ele. Embora discordasse das observações de São Justino sobre o Patriarcado Ecumênico e sua promoção ativa do ecumenismo, ele sempre se impressionou com o calibre espiritual do Santo e estava ciente de que ele se relacionava com um gigante espiritual de nosso tempo. Quando ele escreveu seu artigo intitulado 'O Patriarcado Ecumênico e o Arquimandrita Justino Popovich', no entanto, os dois estavam viajando por caminhos diferentes; eles pertenciam a círculos diferentes. O Pe. Theodoros confessou abertamente que acreditava na defesa do Patriarcado, no que escreveu naquela época, mas depois de alguns anos escrevendo essas palavras, as coisas mudaram dramaticamente para ele.

 

Posteriormente, durante a sua palestra, o Pe Theodoros aproveitou a ocasião para pedir publicamente o perdão do Santo. "Eu me arrependi, no verdadeiro sentido da palavra." Ele confessa perante o mundo e que agora se esforça para seguir o caminho traçado por São Justino.

 

7. Conclusão.

               

Sim, o P. Theodoros Zisis foi outrora um alto funcionário do Patriarcado e foi o seu defensor entusiasta. Sim, isso significava que às vezes ele defendia o ecumenismo. Sim, uma vez ele discordou de São Justino Popovich. No entanto, Deus, vendo sua luta pessoal e erudição, e seu grande amor pelos Santos Padres, alcançou-o através de uma abertura nas nuvens do engano e recompensou-o com a Verdade. Esta luta custou-lhe muito caro; tanto em termos daquilo de que teve de renunciar para abraçar a verdade que encontrou, como em termos da ira que enfrentou pelo inconveniente que esta verdade representa para os outros. Que Deus, em Sua rica misericórdia, continue a nos agraciar com tais almas que, vendo a verdade por si mesmas, tornam-se faróis para os outros.


[1]Originalmente postado aqui em grego: http://www.amen.gr/index.php?mod=news&op=article&aid=5198. Isso foi traduzido para o inglês e postado aqui: http://www.johnsanidopoulos.com/2011/03/fr-theodoros-zisis-responds-to-st.html.

[2] O Patriarca Atenágoras (25 de março de 1886 - 7 de julho de 1972) foi o Patriarca Ecumênico de Constantinopla de 1948-1972 e é amplamente reconhecido como um dos ecumenistas ortodoxos mais importantes. 
 
[3] Saint Justin Popovich (6 de abril de 1894 - 7 de abril de 1979) foi canonizado pela Igreja da Sérvia em 2 de maio de 2010. Ele é talvez mais conhecido no mundo de língua inglesa por seu livro The Orthodox Church and Ecumenism, que é conhecida por sua crítica articulada ao ecumenismo em seus vários aspectos.
 
[4] A vida de Scholarios nos fornece exemplos surpreendentes desse comportamento. Esforços consistentes foram feitos por parte daqueles que desejavam uma união comprometida com o Papa para semear a discórdia entre a liderança anti-sindical. Para obter mais detalhes, consulte o livro Gennadios II Scholarios and the Union of the Churches de Kyriakos Papakyriakou. Essas tentativas são descritas nos quatro capítulos finais.
 
[5]     Gênesis 50:20.
 
[6]  Veja http://www.impantokratoros.gr/ptheodoros_ekklhsiastikh_epikairothta.el.aspx

[7]   'Filopatriarhikos': Um termo grego que significa alguém que ama o Patriarcado.

[8]   Zisis, Theodoros. Gennadios II Scholarios: Life-Writings-Teachings (Patriarchal Institute for Patristic Studies: Thessaloniki, 1980). [Em grego].

[9] Em 2 de novembro de 1991, Bartolomeu de Calcedônia ascenderia ao trono patriarcal de Constantinopla, tornando-se o patriarca ecumênico.

[10] O Padre Theodoros publicou estes documentos agora muito difíceis de encontrar em seu livro Unia: Condenação e Exoneração (Ekdoseis Vrenios: Thessaloniki, 2002).

[11] Aquele que escreve documentos oficiais e textos para discursos.

[12] A oração conjunta com os hereges é claramente proibida pelos Cânones dos Concílios Ecumênicos. Veja uma lista completa dos cânones aplicáveis ​​em Gotsopolous, Anastasios. Oração conjunta com os hereges: Apresentando a prática canônica da Igreja (Thessaloniki, 2009), 26-29.




sábado

Ecumenismo: a nova Heresia - Metropolita Augustinos de Florina

 




“Não negaremos a ti, amada Ortodoxia” – St Joseph Vryennios

 

Ultimamente, alguns teólogos, sob a influência de correntes contemporâneas e mundiais, começaram a saborear as palavras “ecumenicidade”, “espírito ecumênico” e “movimento ecumênico”, como se fossem rebuçados. Ecumenicidade; que palavra linda! E, no entanto, por trás dessas palavras, estava oculto o perigo mais terrível para a Ortodoxia. Qual é esse perigo? Vamos mostrar por meio de um exemplo.

 

Imagine uma mulher, uma mulher fiel ao marido, uma mulher que não permite que terceiros interferissem em seu relacionamento, sempre atenta às promessas que fez diante de Deus e dos homens. Ela é uma mulher de beleza excepcional, atraindo a atenção de muitos homens. Por causa de sua retidão, no entanto, qualquer pessoa que se atreva a tocá-la, ou fazer uma proposição a ela, imediatamente se depara com sua raiva. Se tal pessoa persistir, esta mulher honrada dará um forte tapa em seu rosto para trazê-lo de volta à razão.

 

Aqueles homens que são instruídos neste negócio vil, entretanto, tentarão outro método. Eles tentarão descobrir o que essa mulher gosta; será que ela ama poesia, filosofia ou arte? Por meio dessas coisas, o admirador secreto a laçará. Com grande habilidade, ele começa a ter conversas inocentes com ela sobre os assuntos que ela ama. “Que poema maravilhoso!”; “Que pintura linda!”; “Que peça maravilhosa!”; “Que música doce!” E assim começa o diálogo. Gradualmente, a mulher desavisada é atraída para conversas mais longas com o enganador que, enquanto sua língua fala de filosofia e arte, seu coração salta com a esperança de tomar a mulher para si. Finalmente, depois que um ar de grande familiaridade e compreensão mútua foi alcançado por meio dessas conversas, a porta é aberta para o ato infame, a união vergonhosa. Assim como a maligna serpente conseguiu enganar Eva por meio de uma conversa simples, da mesma maneira, foi semeada a semente da união vergonhosa.

 

Você entendeu o que estamos tentando dizer, amados? Nós falamos em uma parábola.

 

A mulher sobre a qual falamos é nossa Igreja Ortodoxa. Ela é essa beleza. É a mulher que, segundo o livro do Apocalipse, está “vestida de sol”, que usa “na cabeça uma coroa de doze estrelas” e que tem “a lua sob os pés” [2]. É a Igreja Ortodoxa que se manteve fiel ao Senhor, ao Noivo Eterno. Foi ela que manteve pura a Tradição do Senhor e dos Apóstolos - tanto escrita como não escrita - de acordo com o chamado inspirado por Deus para "permanecer firmes e manter as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, ou por nossa epístola ”. [3] É ela, a Igreja Ortodoxa, que por dezenove séculos lutou a batalha dura e sangrenta contra vários enganos, contra as várias heresias que têm procurado poluir e corromper sua santidade. Uma das piores dessas heresias é o papismo, que, por causa de seus delírios, seu espírito autoritário e suas atrocidades, causou o surgimento do protestantismo e a fragmentação de toda a cristandade. Sim, os papistas são hereges. Os inimigos da Igreja Ortodoxa, incluindo o papismo com certeza, sabem bem que ela perseverou na fé de seus Pais. Ainda assim, tendo sido persuadidos por muitos exemplos de que eles não podem conquistar, por meio de um ataque frontal, aquela fortaleza que é a Ortodoxia, esses inimigos começaram recentemente a tentar por outros meios. Eles começaram uma nova guerra, uma guerra pacifica, uma guerra pior do que as Cruzadas. Você não ouve a voz da serpente, procurando corromper as mentes da Ortodoxia, nos afastando de nossa simplicidade? [4]

 

Aqui está o que a serpente diz: Ó, Igreja Ortodoxa! Por que você mantém distância? Por que você tem medo de mim? Eu não sou uma dragão; Eu sou um doce anjo levando a mensagem de amor. Eu não vou te machucar. Mantenha seus dogmas e suas tradições. Deixe essas coisas para os teólogos ... Convido você a entrar em minha sala para discutir outros assuntos. Façamos uma posição comum contra a fome, contra a pobreza, contra o ateísmo, contra o comunismo, contra a guerra. Essas questões não o comovem? Esta proposição não o excita? Venha, comecemos nossa conversa em alto nível, em nível de ecumenicidade, em nível de compreensão mútua. Você verá como pode ser linda a nossa união!


Ó, Igreja Ortodoxa! Nossa mãe sofredora! Você vai aceitar esta proposta? Você vai entrar em diálogo com o papismo? Você não consegue ver o perigo inerente a esta proposição? Aqueles que, inepta e indignamente o representam, estão criando condições favoráveis ​​aos seus inimigos em um grau tão terrível que você, mesmo sem perceber, cairá nos braços do papismo. E o que se seguirá então? Uma união, uma pseudo-união, adultério espiritual, um ato muito vil; algo que nunca deveria ter ocorrido e que exigirá séculos de arrependimento daqueles ortodoxos que desempenharam o papel de cafetões da Igreja Ortodoxa. Chegará a hora em que eles suspirarão e dirão: “Que a linguagem que proferimos sobre‘ ecumenicidade ’e‘ entendimento mútuo ’cesse; que estes pés que correram para unir a Ortodoxia e os lobos em pele de ovelha tornem-se leprosos; que caiam essas mãos que assinaram epístolas e documentos ecumênicos! ”

 

Esta, minha amada, é a famosa "teoria da ecumenicidade" que nossos líderes apreciam!

 

Repetimos: o Movimento Ecumênico, sob cuja proteção reúnem todos os tipos de heresias, representa um perigo para a Igreja Ortodoxa. Despreza a importância dos dogmas que, milagrosamente articulados nas breves definições dos Concílios Ecumênicos, são o esqueleto, a espinha dorsal sem a qual o corpo se torna uma massa flácida e informe. Despreza os Santos Cânones, que os ecumenistas chamam de armas obsoletas e enferrujadas. Em suma, os ecumenistas depreciam a Igreja Ortodoxa como um todo, dizendo que ela é egocêntrica, que é uma blasfêmia para nós considerá-la a única Igreja verdadeira, possuidora da verdade genuína da Revelação Divina. Nesse contexto, os dogmas e a vida moral, inseparavelmente unidos na Igreja Ortodoxa, tendem a evaporar-se, deixando para trás apenas uma versão fraudulenta do amor. Será no final das contas conduzem ao conflito e turbulência, verdadeiramente, a Babel.

 

O fermento, se contaminado, perde a capacidade de fazer crescer as coisas; A Ortodoxia, o fermento mais excelente, o fermento da verdade, é capaz de fermentar a massa inteira, mas somente enquanto ela permanecer não poluída por ingredientes estranhos, enquanto permanecer pura. Por esta razão, os seguidores desta teoria da ecumenicidade são os inimigos da Ortodoxia. Por isso, não hesitamos em chamar este movimento - o movimento ecumênico - de uma nova heresia, da qual a Igreja Ortodoxa deve ser protegida.

 

Em conclusão, nestes momentos críticos em que a Igreja Ortodoxa está em perigo, clamamos aos fiéis de nossa própria torre de vigia: “Fiéis ortodoxos! Lembre-se daquela Igreja, da qual vocês são filhos. Lembre-se dos rios de sangue que nossos Pais derramaram para manter nossa Fé inalterada; nenhuma letra eles permitiram ser subtraída ou adicionada à nossa fé. Lembrem-se do grito de guerra dos heróis da Revolução de 1821. Esses homens - que sua memória seja eterna - lutaram primeiro pela fé e depois pela pátria. Todos esses heróis e mártires - conhecidos e desconhecidos - nos chamam de seus túmulos: “Permanecei firmes no baluarte da Ortodoxia!”

 

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[1] Este artigo pode ser encontrado sob o título, “Νέα Άιρεσις” no livro, “Πνευματικά Σαλπίσματα Ορθοδόξου Ζωής και Ομολογίας”

[2] Apocalipse 12: 1-2.

[3] 2 Tessalonicenses 2:15.

[4] Ver 2 Coríntios 11: 3. “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo."

terça-feira

Sobre os Escândalos na Igreja e a ausência de jovens - Metropolita Augustinos de Florina

 


 

 



 

Sobre os Escândalos na Igreja e a ausência de jovens.

por Metropolita Augustinos de Florina (+28 de agosto de 2010 )


A triste situação da Igreja hoje é uma das razões pelas quais os jovens não são atraídos pelo trabalho missionário. É preciso ser cego para não ver. Devemos lembrar tudo o que Christianitke Spitha e outras publicações da Igreja e periódicos religiosos escreveram na última década? Como nossos jovens podem ser atraídos para servir a Igreja quando eles vêem - infelizmente, caros padres, eles têm olhos e veem - pessoas espertas e vis, que não oferecem nenhum serviço essencial à Igreja ou comunidade, que pelos meios mais malignos conseguem saltar no rebanho e ascender aos postos mais altos, afastando os fiéis e os mais talentosos? Ou quando eles veem que tais pessoas, tendo o controle do governo da Igreja em suas mãos, em nossa pátria democrática, exercem autoridade quase absoluta e tratam os cristãos como bestas irracionais? Ou quando eles veem que fiéis, homens e mulheres, são malvistos, mas parentes lisonjeiros e mundanos cercam o bispo e compõem o seleto staff de sua Metrópole (Arquidiocese)? Ou quando veem que uma viagem arquiepiscopal colhe uma ceifa de ouro? Ou quando veem que as fileiras da Igreja, vindas das famílias mais pobres, são transportadas em reluzentes limusines, que até mesmo estadistas e generais invejam? Ou quando veem que o luxo reina em certos palácios Metropolitanos, nos quais os magnatas são bem-vindos e ficam maravilhados com a vida dos governantes eclesiásticos? Ou quando eles veem no meio de Atenas apartamentos e palácios que são propriedade pessoal de bispos e seus parentes? Ou quando ouvem que irmãs e sobrinhas (dos hierarcas) recebem dotes generosos retirados de tesouros despóticos, ou que noivos de elite são comprados para elas com dinheiro sagrado? Ou quando ouvem que os Metropolitas não ficam felizes em pequenas ou pobres Arquidiocéses, mas, depois de experimentar o demônio da ganância e da vaidade, não deixam pedra sobre pedra em seus esforços para serem transferidos para palácios e sedes mais ricas, sem temer a Deus e nem envergonhados diante dos homens? Ou quando eles veem que os pregadores do Evangelho, pessoas fiéis, são perseguidos até a extinção por condenarem as práticas ilegais e não canônicas dos líderes da Igreja? Ou quando eles veem que nenhuma guerra ou batalha é travada contra os poderosos da época, que por palavras e atos anticristãos ofendem os leigos? Ou quando ouvem que escândalos de natureza moral irrompem nos salões dos Arcebispos e circulam por toda a região sem que a Igreja oficial se alarme ou se perturbe? Ou quando ouvem que bispos moribundos deixam enormes quantias em seus testamentos para seus parentes consanguíneos e outras pessoas queridas, e os herdeiros, como melros, se reúnem em torno desses testamentos miseráveis, chegando aos socos e indo ao tribunal civil para resolver suas diferenças? Minha querida Igreja, como posso expressar todos os sofrimentos que o Corpo Místico de Cristo suportou nas mãos dos maus pastores, que não entraram em seu santo rebanho pela porta, mas por outros caminhos?

 Então, quando nossos jovens testemunham, com seus olhos e ouvidos, a desordem e miséria reinantes dentro da Igreja, como você espera que eles sejam atraídos pelos ideais missionários e tomem a decisão de servir à Igreja com extrema abnegação? Não há jovens educados, com altos interesses na vida (da Igreja) hoje, porque não há modelos, nenhum exemplo heroico entre nossos padres. A juventude é atraída por heróis; ele adora seus heróis, seja qualquer a classe de vida que eles venham. Por meio de seu exemplo, um general heroico inspira os oficiais e soldados sob seu comando, e os leva à vitória, glória e honra. Por outro lado, um general covarde pode decepcionar até os homens mais bravos e criar um espírito de derrotismo, levando à derrota vergonhosa. Um leão pode levar o cervo à vitória, mas um cervo comandando os leões leva-os à derrota. Portanto, quando as ordens cristãs estão desprovidas de líderes que estejam à altura da tarefa da missão sagrada, nada grande ou elevado pode ser realizado. A missão vai vegetar.

 Como a história da Igreja testemunha, os bispos e padres santos têm um cortejo de jovens (que os seguem) com anseios de santidade, que estão ansiosos para se empenhar pelo trabalho missionário. Por outro lado, os bispos ruins não atraem esses jovens. Gente miserável se reúne em torno do eixo da autoridade episcopal de maus pastores, prontos para assumir ricas paróquias. Seus objetivos são os tronos episcopais, que eles se esforçam por alcançar por vaidade e ganância, cópias fiéis dos bispos acima deles. Enquanto destroem honrados trabalhadores do Evangelho, eles atulham seus favoritos com cruzes e trajes monásticos e os chamam de missionários, em cujas mãos colocam a pregação e a catequese. Lobos pastoreando os leigos! Não é de se admirar que tenha havido um colapso na pregação, na instrução religiosa e na confissão na Grécia. "Esta é a acusação contra os líderes dos judeus", disse São João Crisóstomo, "de que os pastores realmente eram lobos. Eles não apenas não dirigiram as massas, mas arruinaram sua capacidade de fazê-lo" (Homilia 32 sobre Mateus Patristica Migne 57: 379). Portanto, a catarse dos salões arquiepiscopais de todos seus elementos vis - dos vendedores de Deus e vendedores de Cristo em trajes de pastores apostólicos – é, e deve ser, o dever mais sério de todo honrado trabalhador da Igreja, todo fiel que, de acordo com São Gregório de Nazianzo, é um seguidor e imitador de Cristo, guiado por toda a Sua geração, da manjedoura ao Gólgota. Este fiel também é chamado para receber o chicote de três pontas e perseguir os cambistas do Templo. Que todos entendam isso. Sem limpar a Igreja, sem o vento limpo e agitado do Espírito Santo, não pode haver razão séria para a missão, aqui ou no exterior. É uma piada pensar que por meios técnicos, por decretos e regulamentos, podemos criar uma vida espiritual e transformar cada bispado em um cenáculo em Jerusalém, de onde saem homens de fogo para a edificação espiritual do mundo ....

Uma última razão pela qual as fileiras de jovens, exceto em poucos centros missionários, não são sustentadas por um influxo de novos membros é a mesma que São Crisóstomo observou em seu próprio tempo (de todos os Padres da Igreja, ele tinha a paixão mais ativa pelas missões ) A razão é esta: há rapazes e moças fiéis que poderiam oferecer muito a um movimento missionário; no entanto, essas pessoas (que são tão escassas, mas tão preciosas) não ficam no mundo e preferem lutar sob a Cruz, buscando ajudar seus pais espirituais e professores, que eles vêem gemendo por falta de auxilio. Eles vão embora. Onde eles vão? Eles vão para o deserto ou para as montanhas e buscam uma vida monástica. O brilho da luz de Tabor os atrai. Deixemos que São Crisóstomo (que também gemia sob o mesmo abandono) fale a estes seres fiéis, que puderam permanecer e ajudar na obra missionária e na salvação das almas, mesmo que deixando seus pais e mestres espirituais para levar a cabo, sozinhos, a difícil luta desta geração.

 

O apóstolo Paulo, por exemplo, foi de Jerusalém para Illyricum. Outro Apóstolo foi para a terra da Índia, outro para a terra dos africanos e outros para várias partes do mundo; ainda assim, não ousamos nos aventurar fora das fronteiras de nossa própria terra natal, procurando por luxo, boas casas e todas as outras abundâncias. Quem de nós já teve fome da palavra de Deus? Quem já empreendeu uma jornada extenuante pelo Evangelho? Quem está no deserto? Quem foi para um país longínquo? Qual de nossos professores já trabalhou para ajudar outras pessoas que estavam famintas ou sofrendo? Quem de nós morre uma morte diária? ... E ainda, se alguém pudesse ser encontrado com traços deste tipo de vida e comportamento apostólico, ele deixaria as cidades, os mercados, a companhia do mundo e seu dever de trabalhar pela salvação dos outros, ordenando suas vidas ensinando o Evangelho, e iria para as montanhas. E se alguém lhe perguntar o motivo de sua partida, ele começará a dar desculpas. Mas suas desculpas não contêm perdão. O que diria? "Para que eu também não seja destruído, para que não seja arrastado para a onda do mal, para que a minha espiritualidade e virtude não sejam diminuídas, portanto abandono o mundo e fujo para as montanhas." Porém, não seria melhor perder algo de sua espiritualidade para que outros ganhem, em vez de fugir e ver de longe os seus irmãos se perderem? Por isso pergunto: como vamos vencer os inimigos da fé e da virtude, quando diante dos que são indiferentes à virtude, os que são zelosos e preocupados fogem da multidão, longe da guerra santa que se trava no mundo?

Verdadeiramente, estas são palavras de ouro e de grande significado, pois procedem de um Pai da Igreja que, como poucos, amava a vida monástica!

*Ó jovens escolhidos, a pregação genuína do Evangelho puxou-os das profundezas do pecado para a vida espiritual. E amorosos pais e professores, por anos prepararam você para o trabalho missionário. Eles tinham preciosas esperanças em vocês, mas agora vocês estão partindo para as montanhas. Vocês saem com desculpas vazias. Vocês partem em dias difíceis, quando o Anticristo está assolando o mundo; almas são perdidas todos os dias, e seus pais e professores lutam arduamente pelo que é Sagrado e Santo. Vocês os deixam em paz. Vão, então, para o Monte Tabor e alegrem-se com seus espíritos. Mas nós lhes perguntamos: "Sua consciência está em repouso?" Antes de responder, medite uma segunda e terceira vez nas palavras de ouro de São Crisóstomo. Elas foram escritas para você! **

 

Notas finais

* Em sua Sexta Homilia sobre Efésios, São Crisóstomo enfatiza que uma das causas do afastamento da vida da Igreja é que as pessoas piedosas, dotadas de seu dom de trabalhar no mundo como missionários, fogem para as montanhas e ficam lá para sempre e, assim, deixam o palco eclesiástico livre para ser conquistado por elementos preguiçosos e insuficientes. É o que ele diz em uma passagem relacionada: "Eles, que viviam virtuosamente e que em qualquer circunstância podiam ter confiança, apoderaram-se dos cumes das montanhas e escaparam do mundo, separando-se como um inimigo e um estranho, e não de um mesmo corpo ao qual pertenciam. Pragas também, repletas de travessuras incontáveis, caíram sobre as igrejas "(Padres Nicenos e Pós-Nicenos, vol. 13, Philip Schaff, ed., Publicações Eerdmans, Grand Rapids, p. 78. Ver também, K. Kontogones, "Ekklesiastike Historia," Atenas: 1876, vol. 1, p. 480).

 

** O que escrevemos aqui não queremos ser mal interpretados. Não somos contra a vida monástica, uma antiga vocação da Igreja que ofereceu fruto resplandecente do Espírito Santo. Também escrevemos em periódicos sobre a vocaçãoo monástica e publicamos dois livros, A Pérola que Não Tem Preço e a Sagrada Convocação. Mas acreditamos que não estamos pecando ao enfatizar que a vida monástica, tal como se apresenta hoje, está em crise e precisa ser renovada para recuperar sua antiga grandeza (ver nosso livro, National Anniversary, Atenas, 1970, pp. 37-63). A vida monástica, renovada segundo os antigos protótipos, pode oferecer muito à vida da Igreja e à comunidade. É impossível não ressurgir novamente de suas entranhas, missionários que continuarão a obra de Cirilo e Metódio, de Kosmas de Aetolia, e de tantos outros monges conhecidos e desconhecidos, que para salvar almas, olharam além de seus próprios interesses espirituais e se jogaram na fornalha do mundo, e passaram por adversidades. E pelo amor flamejante pela humanidade humilde, eles retomaram o que Paulo disse: "Pois eu até desejaria ser amaldiçoado e separado de Cristo por amor de meus irmãos, os de minha raça" (Rom. 9: 3), como em outro lugar ele diz , “Ninguém busque o proveito próprio; antes cada um o que é de outrem." (I Cor. 10:24), ditado que influenciou significativamente a alma de São Kosmas de Aetolia, que deixou o mosteiro para fazer o trabalho missionário. Do hesicasmo, que ele praticou por sessenta anos, ele saiu para a atividade missionária.

 

São João Crisóstomo suspira por conta da falta de zelo missionário pela salvação das almas e clama: "Ai de mim, porque não sei quanto custa para ganhar almas" (ver Homilia 18 sobre os Atos dos Apóstolos, PG Migne 60, 149).

 

De "Follow Me", de Augustinos N. Kantiotes, Bispo de Florina, Grécia pp. 370-378.

quarta-feira

"Quem são os Santos" - Arquimandrita Gregórios (Estephan)

 

QUEM SÃO OS SANTOS?






Por Arquimandrita Gregorios(Estephan) - Abade do Mosteiro da Dormição da Mãe de Deus - Bkefitine

 

Existe uma união sagrada entre os santos e o dia do Pentecostes. Pois os santos são aqueles sobre os quais a Graça do Pentecostes foi derramada, e por meio dos quais a Graça do Pentecostes continua ativa no mundo. Eles se tornam sacramentos vivos em Jesus Cristo; eles extraem toda Graça e verdade dos sacramentos da Igreja. A verdade Divina foi armazenada intimamente nas profundezas dos corações dos santos, gerando a teologia do conhecimento vivo de Deus. É assim que os santos, os portadores do Pentecostes, nascem. A imagem e semelhança Divinas são restauradas apenas neste nível de santidade. É por isso que Cristo nos ordenou: Sede santos; pois eu sou santo.

A virtude característica dos santos é sua busca incessante da perfeição Divina, tanto quanto eles são capazes. Eles não alcançaram este nível de perfeição Divina devido à sua perfeição moral ou social, mas Graças à sua transfiguração incessante em direção a perfeição; a transfiguração do nous e do coração por meio de um ato de eros* incessante ​em direção ao verdadeiro Cristo. Pelo amor de Cristo, eles abandonaram este mundo, todos os apegos mundanos e prazeres corporais, e realizaram uma jornada incessante para o Reino Celestial. Eles subjugaram seus corpos por meio do ascetismo e da abnegação, a fim de submetê-los ao espírito.

Os santos sabiam que a santidade é produzida através dessa atenção em guardar os mandamentos de Cristo - todos os mandamentos, mesmo os menores. Mas é impossível guardar os mandamentos antes de controlar as paixões. É por isso que (os santos) amavam o ascetismo - o jejum severo e as muitas prostrações, a oração focada, derramando lágrimas, e as vigílias incansáveis, com muita perseverança e humildade contínua. Santo Efraim, o Sírio, enfatiza a ação da Graça nas almas dos que lutam, dizendo: “Deus planta Suas sementes em corpos ascéticos”. Nosso santo então passa a dizer que sem luta e trabalho, “ninguém será coroado, nem nesta vida nem na próxima”. É impossível alcançar a santidade sem ascetismo, porque é este ascetismo que subjuga as paixões do amor próprio e as transforma no amor de Cristo. A perfeição dos santos, que não encontra um fim, é o amor de Cristo.

Os santos são aqueles que nasceram novamente, do arrependimento e do espírito. A jornada de um santo é a jornada de um penitente, que pode ter começado com todos os tipos de pecados, paixões e heresias. Os santos são aqueles que conheceram sua fraqueza espiritual e pobreza e assim entregaram suas vidas a Cristo em incessante arrependimento. Eles não se desesperaram por causa da multidão de aflições, demônios, tentações e quedas, mas por conta de sua fraqueza, eles receberam muita humildade, permitindo-lhes se levantar contra o pecado e resistir até a morte.

Sua forte resistência atraiu muita Graça; curou sua dureza de coração e ensinou-lhes a oração incessante. O que caracteriza os santos é que eles não notam suas virtudes, mas sentem profundamente seus pecados e sua necessidade de misericórdia Divina. Isso lhes concede arrependimento e luto por seus pecados, sabendo que são dignos do inferno e de toda condenação. Este é o mistério da ação da Graça na humildade dos santos. O arrependimento dos santos não cessa - eles se arrependem e não se desesperam, sabendo que seus pecados são perdoados pelo arrependimento; mas eles também sabem que se o arrependimento cessar, seus pecados voltarão, mais malignos do eram antes.

Com respeito à fé, os santos se recusam a se conformar com o espírito dos tempos (mundanismo) e lutam contra suas influências. Eles enfrentaram fortemente as heresias - todos os tipos de heresias - sabendo que estas carregavam o espírito de Satanás. A heresia é incompatível com a santidade; e as novas heresias têm várias faces: ecumenismo, sincretismo, modernismo, etc. Elas estão todas em conflito com a santidade. Aqueles que se entregam a este globalismo religioso, ao espírito dos tempos e aos esforços para renovar a vida da Igreja de acordo com os ditames da vida moderna, não podem ser santificados. Como pode ser santificado aquele que distorce a fé pura dos santos e a mistura com um ensinamento vindo do demônio da contradição e do intelecto orgulhoso?

Aqueles que colocam obstáculos aos fiéis, que fazem os filhos de Deus duvidarem dos Sacramentos e dos objetos sagrados, pois eles próprios duvidam da santa luz da Ressurreição e da Graça contida nas sagradas relíquias, rendem-se ao espírito da ilusão. O princípio do amor ao próximo é tirar-lhes as dúvidas e os obstáculos do seu caminho de salvação, através da firmeza na fé e pelo seu crescimento na esperança. Os santos desprezaram erguer barreiras, ensinando que isso traz grande condenação.

Os santos não são feitos por uma infinidade de teorias, orgulho e arrogância, mas através da submissão dos pensamentos e vontades a Cristo e Sua Igreja. Os santos nascem do cânone da fé Ortodoxa, que é a lei da vida eterna. Os santos são fruto da obediência à fé Ortodoxa, fruto da entrega de sua própria vontade à experiência comunitária que é, antes de mais nada, formada pela força da fé, depois pelo trabalho, jejuns e orações. Os santos nascem da Tradição da Igreja, da submissão de todos os seus pensamentos à Tradição da Igreja.

Os santos compreenderam que a obediência esvazia a alma de seu egoísmo e da confiança em seus próprios conceitos, de modo que ele se submete de bom grado à mente da santa Igreja, aos seus dogmas e aos seus cânones. Assim, a experiência dos santos continua completa e perfeita, imutável de século em século, por meio da obediência à fé Ortodoxa. Somente aquelas almas que, pela fé e obediência, uniram sua vontade à vontade de Deus, podem ser santificadas e santificar, ser iluminadas e iluminar, e estabelecer firmemente a Igreja na jornada de seus santos.

É assim que a Igreja se torna criadora de santos; do contrário, perderia o sentido de sua existência. Não foi esse o propósito pelo qual o Filho de Deus veio ao mundo? Uma igreja que não produz ascetas e santos, que passaram da fé intelectual para a experiência da revelação divina, facilmente se torna uma igreja de leis e moralismo, uma igreja mundana desprovida de espírito, caminhando livremente para a extinção e a destruição. Os santos são produtos da Graça divina, que está exclusivamente associada à fé verdadeira e correta. E fora desta verdade, não existe Graça nem santidade.

É por isso que a Igreja Ortodoxa não reconhece os santos de fora; não há santos não ortodoxos. Este julgamento não é extremista, pois no que diz respeito à Igreja Ortodoxa, a santidade não é estabelecida por estados psicológico-emocionais, por uma vida moral louvável, ou por um ministério social distinto, como é o critério dos não ortodoxos. Antes, é uma participação existencial na fé correta e na Luz Incriada de Deus, após a completa libertação das paixões. Pois, sem a Graça, o homem não só é incapaz de ser santificado, mas também incapaz de apresentar uma obra agradável diante de Deus. É por isso que Santo Efraim, o Sírio, ordena que não tenhamos comunhão com os hereges - porque eles não têm boas obras, visto que se afastaram da Graça divina como consequência de seu afastamento da fé correta.

Todos aqueles que lutaram pela fé Ortodoxa ao longo da história, que “trabalharam e ensinaram”, foram santificados. Na era de apostasia, que prevalecerá nos últimos dias, muitos se tornarão obstinados; eles não apenas se conformarão e apostatarão da verdade, mas também perseguirão aqueles que se apegam a essa verdade. Não serão muitos aqueles que aceitarão a perseguição pela Cruz de Cristo. 

Não é a Ortodoxia a portadora da Cruz de Cristo neste mundo?

No entanto, sempre haverá santos neste mundo. Pois os santos, com sua fé viva, ascetismo, oração pura e sua vitória sobre os demônios imundos, santificam não apenas o lugar onde eles habitam em ascetismo, mas o mundo inteiro, que recebe também os raios da Graça que operam dentro deles. É por isso que o julgamento deste mundo atual não virá enquanto houver um número suficiente de verdadeiros santos Ortodoxos, como um fermento sagrado para este mundo miserável. Os santos Ortodoxos são a base da existência contínua do mundo. Esses santos se tornarão pouquíssimos com o passar do tempo em sua direção para o fim, embora possam ser mais radiantes na era da grande apostasia.



Geronda Gregorios


*NdoT:

Eros divino: O amor a Deus é de importância central na vida Ortodoxa. Quem ama a Deus, ama o próximo através do amor de Deus. Os Santos Padres referem-se a este amor como "eros" e, para o distinguir de todo falso eros, falam de "eros divino".

Nas palavras de São Paísios: “Eros divino pode amolecer até os ossos mais duros, a ponto de uma pessoa não conseguir mais ficar em pé, e então eles caem! Eles se parecem com uma vela de cera em um ambiente quente, que não pode manter-se em pé com firmeza. Cai para um lado, depois cai para o outro lado, alguém endireita, mas de novo ela dobra, e de novo cai, por causa do calor do ambiente, que é quente demais para ela aguentar. Quando uma pessoa está em tal estado e precisa ir a algum lugar ou fazer algo, ela não pode. Eles vão realmente lutar para sair desse estado

...

Você não viu como as pessoas que se amam são totalmente alheias? Eles mal conseguem dormir. Certa vez, um monge me disse: “Ancião, um irmão meu se apaixonou por uma cigana e não consegue dormir por causa dela. Ele fica repetindo o nome dela, sem parar: 'Minha doce Paraskevi, minha doce Pareskevi', ele diria. Ele está talvez enfeitiçado? Não sei! Há tantos anos sou monge e nem mesmo eu sinto tanto amor pela Panagia como meu irmão sente por aquela cigana! Eu não sinto meu coração pulando assim! ”

 

Infelizmente, existem pessoas que se escandalizam com o termo “eros divino”. Eles não perceberam o que "eros divino" significa, e estão tentando remover este termo do Menaion e do Parakliti (Ndot:  um livro de hinos para todos os dias da semana, sábado à noite até a manhã do sábado seguinte, nos Oito Modos / Tons, com base nas comemorações do dia), porque eles afirmam que escandaliza. A que ponto chegaram as coisas! Pelo contrário, se você falar a pessoas seculares, que experimentaram eros mundano, sobre eros divino, elas imediatamente dirão: "Isso deve ser algo muito superior." Tantos jovens experimentaram o eros mundano, que quando lhes mencionei o eros divino, eles puderam fazer a comparação mentalmente! Eu lhes pergunto: "Você já perdeu o equilíbrio ou não conseguiu fazer nada por causa do amor que sentia por alguém?" Eles então compreendem imediatamente como este deve ser um estado realmente superior, e nós nos entendemos perfeitamente depois disso e somos capazes de nos comunicar. Eles geralmente respondem com: "Se nos sentimos assim com eros mundano, imagine como deve ser esse sentimento celestial!"

 

P: Ancião, como alguém pode enlouquecer por amor a Deus?

Bem, fazendo companhia a outros malucos, que te contagiarão com sua loucura espiritual! Rezarei para que um dia o veja como um completo louco por Deus! Amém! (Counsels of Elder Paisios of the Holy Mountain, vol.5, pp. 205-206)

 

Tradução: Diácono Paísios